
Não é aqui que vos sinto,
Meus avós,
Meus pais,
Minha irmã…
Meus queridos …
Não é no meio da cera derretida
Que queima o ar com aroma de dor
Que vos espero encontrar.
Nem por entre as flores,
Que fazem deste jazigo um altar.
Não é com palavras douradas
Sobre uma mármore dura
Que vos quero falar…
Não estais aqui!
Neste lugar onde a terra pesa
Sob a noite fria,
E onde o portão de ferro alto
Acredita que vos limita o espaço.
E a vela pensa que vos alumia.
Estas flores não sabem
Que nasceram para morrer aqui…
Aqui tudo morre!
Aqui, onde nada vive
Para além do silêncio.
Não estais aqui…
Encontro-vos agora e sempre
No meu peito,
Gruta do amor por vós.
E na saudade doce
Que me alimenta a esperança
De vos abraçar de novo,
E quebrar este gélido silêncio
Com a nossa voz!
ana claudia albergaria
01 de Novembro de 2010