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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Espera




Espera...

Horas, horas, sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tu és a esperança

Tu és a esperança, a madrugada,
nasceste nas tardes de Setembro,
quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.


Para ti criei palavras sem sentido
inventei brumas , lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda comigo.


Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.



Eug. de Andrade.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Se eu pudesse





Se pudesse, coroava-te de rosas
neste dia
de rosas brancas e de folhas verdes,
tão jovens como tu, minha alegria.


Terra onde os versos vão abrindo,
meu coração não tem rosas para dar;
olhos meus onde as águas vão subindo,
cerrai-vos deixai de chorar.


Eugénio de Andrade

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eugénio de Andrade





Creio que foi o sorriso,
O sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
Lá dentro.
Apetecia entrar nele,
Tirar a roupa,
Ficar nu dentro daquele sorriso,
Correr,
Navegar,
Morrer,
Dentro daquele sorriso.

Eugénio de Andrade

terça-feira, 17 de novembro de 2009






Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor...


Eug. Andrade..