sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
NOITE DE FIM DE ANO
O dia nasceu como outro qualquer
Menos luminoso, talvez,
Menos esperançoso.
Mas quem passa por mim
Vai falando de um princípio e de um fim.
A noite irá vestir-se de traje de gala,
E de taça nas mãos brindarão,
Aos maiores desejos,
Com sorrisos debruados de ilusão.
E eu, que sei que este dia é um dia apenas
E que a noite será mais uma noite
Vou falando comigo mesma,
Sobre a normalidade das horas,
Sobre a repetição das esperas inúteis,
E sinto vertigens ao olhar o profundo espaço vazio.
Porque uma das taças que tenho na mesa
Não tem mão para me segurar.
E num equilíbrio esforçado
Levanto as minhas mãos aos céus
E agradeço-as.
ana homem de albergaria
31/12/2015
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
O nosso chá!
Está quase tudo preparado, mãe. A Chaleira está ao lume, o chá quase pronto.
Pus a mesa com aquele serviço antigo que era da avó, cheio de vestígios das vossas mãos que foram acrescentando importância ao fio de ouro que debrua as peças.
Tenho uma cadeira especial à tua
espera. Vais ficar à cabeceira da mesa mãe, lugar que sempre mereceste e que
nunca te foi reconhecido. Não te esqueças de trazer os teus poemas para lermos
juntas. Se não quiseres cantar para mim o teu fado eu compreendo, falta muita
gente na mesa, eu sei. Mas hoje preciso de estar só contigo mãe. Tenho tanto para
te dizer de pequenos nadas que vou escrevendo e pintando nesta vida.
Tenho tanto para te escutar mãe.
Vem falar-me desse infinito que me espera, que eu tanto anseio e que me tarda.
Fala-me desse ser de luz que está a chegar à nossa casa, outra vez, mãe. Será, mãe?
Será que volta o amor que se gerou no teu ventre para renascer agora, como
dádiva, para nós?
Se soubesses a falta que me faz
uma tarde contigo. Um abraço teu, o teu olhar de verde mar, as tua mãos. O teu
amor.
O chá está pronto. Comprei os biscoitos com amêndoa,
sei que gostas. Está tudo quase pronto mãe. Só faltas tu. Nem das violetas me
esqueci. Já estão aqui!
Não demores, por favor. Vem
lanchar comigo mãe, antes que anoiteça de novo o meu espírito e o universo te prenda
numa escuridão qualquer.
Ana homem de albergaria
domingo, 21 de dezembro de 2014
LETRAS ESQUECIDAS
Letras esquecidas num pensamento
parado, forçam um equilíbrio ébrio, inconsequente. Olham o abismo de alto,
inseguras. Incapazes de se fazerem palavra. Nada sabem de ser com outro ser. Nada
sabem de ser mais que ser só. Nada sabem da razão de ser além de ser dor em
solidão. Mas agitam-se para se tocarem em instantes de intuitivo desejo,
efémera união. Atomizadas na sua inconsciência relacional, tornam-se inúteis.
Apenas se iludem num narcisismo burlesco, exorcizando toda a intencionalidade
de se agregarem em palavras saciadas de sentimentos. Nada sabem do fluido
vital. Nada sabem do poema.
ana
homem de albergaria
terça-feira, 20 de maio de 2014
DESISTIR?!
“DESISTIR" eis a palavra que pensei terem aniquilado no poço sombrio das tentações. Uma praga. Parasita que revisita e se aproveita sem pudor de quem a repele. Gládio do derradeiro duelo entre a força moribunda e a última esperança. Veneno de Sócrates dado ao animal que não se (re) conhecendo bebe, por ter sede, a cicuta fatal.
ana homem de albergaria
sábado, 1 de fevereiro de 2014
INTIMIDADE
Intimidade
Habitáculo da existência, o interior,
onde se molda a forma da vida, em colos de recolhimento.
Paredes que falam de toques de mãos construtoras de possíveis.
Fés condutoras de valores que ficam impregnados nas cores indefinidas dos mistérios.
Casas paradas no movimento do tempo.Tradições que gritam em silêncio.
Segredos desvendados pela espátula, que acrescenta cor raspando a tela da humanidade.
É lá dentro que nos despimos “dos outros” e vivemos a liberdade (i)limitada do “Eu”,
que se reencontra no voo do olhar que se desprende do beiral de uma janela com grades; num jardim babilónio; num mar de sentimentos mesclados de verdes azuis esperança.
E, quantas vezes, no cinza e no preto da dor de “ser” tão-somente abandono, esquecimento.
E vivemos o movimento de olhar de dentro para fora, maiêutica socrática, busca da verdade!
Procura do nosso lugar, imersão no “Ser” mais profundo.
Intimidade que sendo só nossa, constrói ela mesma a história do mundo!
ana homem de albergaria
Março/2013
domingo, 29 de setembro de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
INTIMIDADES - EXPOSIÇÃO DE PINTURA
Exposição Intimidades
de: Ana Homem de Albergaria
Inserida no projeto: Interioridades
Maio/Junho 2013
Museu Dom Diogo de Sousa
Braga / Portugal
(cada tela: 40 euros, 30cm x30cm)
Interessados é favor deixar comentário com contacto.
(cada tela: 40 euros, 30cm x30cm)
Interessados é favor deixar comentário com contacto.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Calou-se o Poeta
Olhou para dentro de si.
Procurou nos batimentos da vida
Um compasso partilhado a ritmo certo.
Enfrentou a tempestade das palavras,
Relâmpagos de um Olimpo sem Deuses.
E o poeta abafou a sua voz
No movimento do nada.
Nas sombras solitárias da noite.
Foi quando o céu chorou a nuvem da palavra indesejada,
Na rima emparelhada de amor com dor!
Ana Homem de AlbergariaVer mais
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
ESPELHO MEU
Espelho
meu
Doí em mim, como sádica.
Mordi os lábios antes de pronunciar
Qualquer sentido do impossível!
Mordi os lábios antes de pronunciar
Qualquer sentido do impossível!
Apertei tantas vezes as minhas mãos
A favor de uma vontade impaciente.
Acorrentei tantos passos,
Por medo de serem falsos.
Amordacei a palavra “amo-te”, a única que aprendi.
Procurei-me, como uma perdida,
Na neblina que anoitecia nos teus olhos.
Oh loucura pura! O teu olhar!
Espelho meu, espelho meu… onde nunca me vi!
Eu estive sempre aqui, nesta sôfrega quietude.
E a gritar por nós, como louca, ensurdeci!
Ana Homem de Albergaria
domingo, 18 de novembro de 2012
IMORTALIDADE
Imortalidade
Corpo finito tecido a carne mortal,
Frágil ser que não é sem mim!
Limite onde me sinto contornos.
Pedra em movimento
...Polida pelo tempo
Que vai sendo pó,
Pó , apenas pó…
E eu toda eu,
Luz e escuridão
Paz e guerra
Ceu e chão
Coragem e medo
Saúde e dor
Amor… desamor
Abraço e solidão.
E eu neste corpo na estrada,
Conduzido por mim,
Rumo ao nada!
E eu toda eu
Amanhã infinito
Eterna caminhada!
Ana Homem Albergaria
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Não te movas
O pensamento precisa voar…
Fixa o teu olhar
No ponto de encontro com o teu limite.
Fica aí! Nessa estática liberdade!
Quanto do teu mundo espera por essa pausa?
Por esse olhar sem pressa num futuro disperso?
Por esse rosto sem alegria nem dor?
Sentir -te apenas… ser universo!
Fica aí…
Nesse tempo sem tempo
Nesse ficar e ir, sem perto nem longe.
Nesse espaço sem coordenadas,
Onde o corpo se abandona
Às partidas e chegadas.
Fica …
Quanto de ti descansou em ti, até hoje?
Enquanto o pensamento voa
O mundo segue… corre aos ventos
Grita aos seculos as conquistas e derrotas
Enriquece, empobrece… passa fome… envelhece!
Mas tu, podes ficar…
Não te movas. Respira apenas!
Fica aí… em ti!
ana homem albergaria
11.05.2012
terça-feira, 6 de março de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Sonho Real

Afago quente no Outono da minha vida
Aconchegando o meu sonho mais real,
Trazias flores etéreas por abrir,
Fechadas em tuas mãos, para me dar.
O vento acalmou e assim ficaram,
Sem nunca o seu perfume me chegar.
De que jardim colheste essas flores?
Que coração, da terra as quis tirar?
Esperei eu uma semente de amor,
Que não existe.
Umas mãos abertas…
Nas quais vejo apenas
Um bouquet de flores fechado e triste.
Mas o sonho quis continuar…
Porque nele estavas lá.
E quando me chegava aos teus lábios
Bebia neles um desejo ardente
De te sentir ali, não mais ausente.
Mas mesmo antes do sonho terminar
Falaste-me, sem palavras, que não estavas.
E foste te afastando, estando ainda
Neste sonho que fui nada,
E tu o que sonhei, minha alvorada!
Não sabes quanto de ti ficou em mim.
Nem eu sei quanto te dei, ou recebi.
Sei agora que não fiquei nem parti.
Neste sonho mal sonhado, mal vivido
Fomos segundos no contínuo de uma vida…
Somente um beijo de reencontro e despedida!
ana homem de albergaria
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A COR AUSENTE

Já me misturei com tantas cores,
Nesta vida, tantas vezes!
O preto e o branco,
Nos invernos frios,
Acinzentados pela solidão
Que escorregava em gotas de orvalho,
Nos vidros gelados da minha janela.
Já me agarrei ao vermelho e ao amarelo,
Encarnando a força e a garra
Necessária a uma tourada,
De capa na mão com que cobri a dor alaranjada,
Na tentativa de matar a saudade,
De um tempo em que não restou nada!
Já subi pelo azul mais celeste
e pelo verde mais agreste,
Elevando-me em ilusões flutuantes,
Nuvens etéreas, neblinas de contos de fadas,
Lagos e príncipes, florestas encantadas!
Já misturei a cor magenta de um fim de tarde
Com o castanho dos meus olhos,
Num abraço á beira-mar , que nunca se sentiu,
Num regresso de “alguém”,
Que sonhado em mim
Nunca existiu!
Ana Homem de Abergaria
domingo, 15 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Olhos Mar
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Não sei se já chegaste
Ou se estás a chegar…
És como a minha história
Que não escrevi mas que acontece
Em cada dia, em mim!
Acordo para memórias que não tenho
E vivo-as contigo num sonho por realizar.
No caminho que faço sozinha
Encontro vida verde a brotar…
Há sempre um trilho que se descobre,
Quando se caminha Lado a lado
Com a promessa fresca de amanhecer
Num futuro de Amor, já semeado.
Não espero por ti… Já te encontrei!
Mas não sei se já chegaste
Ou se estás a chegar?!
Vens meu Amor?
Vais ficar?
Ana Homem de Albergaria
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
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