sábado, 1 de fevereiro de 2014
INTIMIDADE
Intimidade
Habitáculo da existência, o interior,
onde se molda a forma da vida, em colos de recolhimento.
Paredes que falam de toques de mãos construtoras de possíveis.
Fés condutoras de valores que ficam impregnados nas cores indefinidas dos mistérios.
Casas paradas no movimento do tempo.Tradições que gritam em silêncio.
Segredos desvendados pela espátula, que acrescenta cor raspando a tela da humanidade.
É lá dentro que nos despimos “dos outros” e vivemos a liberdade (i)limitada do “Eu”,
que se reencontra no voo do olhar que se desprende do beiral de uma janela com grades; num jardim babilónio; num mar de sentimentos mesclados de verdes azuis esperança.
E, quantas vezes, no cinza e no preto da dor de “ser” tão-somente abandono, esquecimento.
E vivemos o movimento de olhar de dentro para fora, maiêutica socrática, busca da verdade!
Procura do nosso lugar, imersão no “Ser” mais profundo.
Intimidade que sendo só nossa, constrói ela mesma a história do mundo!
ana homem de albergaria
Março/2013
domingo, 29 de setembro de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
INTIMIDADES - EXPOSIÇÃO DE PINTURA
Exposição Intimidades
de: Ana Homem de Albergaria
Inserida no projeto: Interioridades
Maio/Junho 2013
Museu Dom Diogo de Sousa
Braga / Portugal
(cada tela: 40 euros, 30cm x30cm)
Interessados é favor deixar comentário com contacto.
(cada tela: 40 euros, 30cm x30cm)
Interessados é favor deixar comentário com contacto.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Calou-se o Poeta
Olhou para dentro de si.
Procurou nos batimentos da vida
Um compasso partilhado a ritmo certo.
Enfrentou a tempestade das palavras,
Relâmpagos de um Olimpo sem Deuses.
E o poeta abafou a sua voz
No movimento do nada.
Nas sombras solitárias da noite.
Foi quando o céu chorou a nuvem da palavra indesejada,
Na rima emparelhada de amor com dor!
Ana Homem de AlbergariaVer mais
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
ESPELHO MEU
Espelho
meu
Doí em mim, como sádica.
Mordi os lábios antes de pronunciar
Qualquer sentido do impossível!
Mordi os lábios antes de pronunciar
Qualquer sentido do impossível!
Apertei tantas vezes as minhas mãos
A favor de uma vontade impaciente.
Acorrentei tantos passos,
Por medo de serem falsos.
Amordacei a palavra “amo-te”, a única que aprendi.
Procurei-me, como uma perdida,
Na neblina que anoitecia nos teus olhos.
Oh loucura pura! O teu olhar!
Espelho meu, espelho meu… onde nunca me vi!
Eu estive sempre aqui, nesta sôfrega quietude.
E a gritar por nós, como louca, ensurdeci!
Ana Homem de Albergaria
domingo, 18 de novembro de 2012
IMORTALIDADE
Imortalidade
Corpo finito tecido a carne mortal,
Frágil ser que não é sem mim!
Limite onde me sinto contornos.
Pedra em movimento
...Polida pelo tempo
Que vai sendo pó,
Pó , apenas pó…
E eu toda eu,
Luz e escuridão
Paz e guerra
Ceu e chão
Coragem e medo
Saúde e dor
Amor… desamor
Abraço e solidão.
E eu neste corpo na estrada,
Conduzido por mim,
Rumo ao nada!
E eu toda eu
Amanhã infinito
Eterna caminhada!
Ana Homem Albergaria
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Não te movas
O pensamento precisa voar…
Fixa o teu olhar
No ponto de encontro com o teu limite.
Fica aí! Nessa estática liberdade!
Quanto do teu mundo espera por essa pausa?
Por esse olhar sem pressa num futuro disperso?
Por esse rosto sem alegria nem dor?
Sentir -te apenas… ser universo!
Fica aí…
Nesse tempo sem tempo
Nesse ficar e ir, sem perto nem longe.
Nesse espaço sem coordenadas,
Onde o corpo se abandona
Às partidas e chegadas.
Fica …
Quanto de ti descansou em ti, até hoje?
Enquanto o pensamento voa
O mundo segue… corre aos ventos
Grita aos seculos as conquistas e derrotas
Enriquece, empobrece… passa fome… envelhece!
Mas tu, podes ficar…
Não te movas. Respira apenas!
Fica aí… em ti!
ana homem albergaria
11.05.2012
terça-feira, 6 de março de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Sonho Real

Afago quente no Outono da minha vida
Aconchegando o meu sonho mais real,
Trazias flores etéreas por abrir,
Fechadas em tuas mãos, para me dar.
O vento acalmou e assim ficaram,
Sem nunca o seu perfume me chegar.
De que jardim colheste essas flores?
Que coração, da terra as quis tirar?
Esperei eu uma semente de amor,
Que não existe.
Umas mãos abertas…
Nas quais vejo apenas
Um bouquet de flores fechado e triste.
Mas o sonho quis continuar…
Porque nele estavas lá.
E quando me chegava aos teus lábios
Bebia neles um desejo ardente
De te sentir ali, não mais ausente.
Mas mesmo antes do sonho terminar
Falaste-me, sem palavras, que não estavas.
E foste te afastando, estando ainda
Neste sonho que fui nada,
E tu o que sonhei, minha alvorada!
Não sabes quanto de ti ficou em mim.
Nem eu sei quanto te dei, ou recebi.
Sei agora que não fiquei nem parti.
Neste sonho mal sonhado, mal vivido
Fomos segundos no contínuo de uma vida…
Somente um beijo de reencontro e despedida!
ana homem de albergaria
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A COR AUSENTE

Já me misturei com tantas cores,
Nesta vida, tantas vezes!
O preto e o branco,
Nos invernos frios,
Acinzentados pela solidão
Que escorregava em gotas de orvalho,
Nos vidros gelados da minha janela.
Já me agarrei ao vermelho e ao amarelo,
Encarnando a força e a garra
Necessária a uma tourada,
De capa na mão com que cobri a dor alaranjada,
Na tentativa de matar a saudade,
De um tempo em que não restou nada!
Já subi pelo azul mais celeste
e pelo verde mais agreste,
Elevando-me em ilusões flutuantes,
Nuvens etéreas, neblinas de contos de fadas,
Lagos e príncipes, florestas encantadas!
Já misturei a cor magenta de um fim de tarde
Com o castanho dos meus olhos,
Num abraço á beira-mar , que nunca se sentiu,
Num regresso de “alguém”,
Que sonhado em mim
Nunca existiu!
Ana Homem de Abergaria
domingo, 15 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Olhos Mar
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Não sei se já chegaste
Ou se estás a chegar…
És como a minha história
Que não escrevi mas que acontece
Em cada dia, em mim!
Acordo para memórias que não tenho
E vivo-as contigo num sonho por realizar.
No caminho que faço sozinha
Encontro vida verde a brotar…
Há sempre um trilho que se descobre,
Quando se caminha Lado a lado
Com a promessa fresca de amanhecer
Num futuro de Amor, já semeado.
Não espero por ti… Já te encontrei!
Mas não sei se já chegaste
Ou se estás a chegar?!
Vens meu Amor?
Vais ficar?
Ana Homem de Albergaria
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Mulher

O relógio antigo de madeira envelhecida,
Pelo tempo que o ilude de vida,
Lamenta-me o entardecer dos dias.
... É sempre tarde!
Quando o sol me desperta para quem sou…
Corro para o espelho, em busca de um rosto jovem
Que descanse um pouco na suavidade hidratante
Das minhas mãos cheias de água corrente…
Como se fosse possível fazer parar um rio nas rugas da idade,
Ou lavar a historia da própria Humanidade.
Das tranças da minha infância
Recordo apenas os sonhos, que subiam por elas
E me ensinaram a esperar mais da vida
E a dar Sempre mais e mais… de mim,
Aos outros (supostamente iguais).
E penso: Os Outros!
Então… enxugo os pensamentos na manta de retalhos
Que “eles” fizeram com as horas dos meus dias.
Volto a correr de braços estendidos em direcção á mãe
Que nasceu na era em que o meu ventre quis ser futuro.
E faço dos meus braços asas e voo sobre os muros,
E faço dos meus olhos esperança e conto estrelas brilhantes
Nos céus mais escuros.
De repente… chamam por mim
Gritam sempre pelo meu nome em outro lugar…
Onde a idade pesa,
Onde a saúde falta,
Onde é preciso levar alguém pela mão
Onde o saber urge na escola da vida,
Que não ensina que existe trabalho
Que não é profissão!
E todo o conhecimento e experiencia
Desta operária de emoções,
Se misturam em conflito
Por entre livros e universidades
Num século de oportunidades
Que me escorregam pelas mãos!
E tenho de estar onde não estou,
Saber o que não sei,
Ser o que não sou!
É sempre tarde, para ser Mulher!
Mas quando o sol se despede anunciando a partida,
Esperam ainda que o espelho reflicta a minha beleza!
E de cabeça sempre erguida mas com os olhos lassos de tristeza,
Olho de novo o relógio antigo de madeira envelhecida,
E sinto que não sou eu que dou corda á minha vida!
ana homem de albergaria
terça-feira, 1 de novembro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
Ponto final

Revisito as tuas palavras
Um número de vezes
Que tende para o infinito.
E nesse infinito de buscas,
Num papel que perfumei
Com a ilusão,
Não encontro bálsamos,
Nem sequer vestígios
De mim…
Tenho de me encontrar
Em algum parágrafo,
Tenho que estar em alguma sílaba,
Em algum acento grave!
Quem sabe numa virgula…
Tenho que me encontrar
Na semântica
Que ainda não vivi
E que me falaria
Do afecto
De ti,
Um ponto final, porquê?
Antes da palavra Amor
Que ainda não escrevi?!
ana homem de albergaria
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Falar ao mar

Estou aqui… mar imenso
Falarei a linguagem das sereias
Escuta…
Acalma-te um pouco,
Serena-me as memórias
Que navegam na historia
Da infância do meu país…
Sim… mergulhou em ti a alma lusitana
E tantos povos em ti naufragaram…
Mas Hoje queria apenas este reencontro…
Escuta…
Onde estão os sonhos profundos
Que construíram as caravelas quinhentistas?
E que ondas as levaram a outros mundos?
Sabes me dizer, oh mar altivo,
Indestrutível ser!
Desfaleceu a coragem do meu povo,
O Adamastor está ainda mais monstruoso,
Nunca o adormeceste, porque?
Oh mar revoltoso!
Preciso saber …
Vá… Só hoje,
Fala-me da tua coragem
Da tua força,
Da tua irreverência…
Dos tesouros da tua profundidade…
Ensina-nos a tua transparência
Para que se contemplem pérolas
No coração dos Homens
De boa vontade…
Nesta ilha em que se tornou
A Humanidade.
Aqui em terra,
Os meus pés já não sabem
Por onde ir…
Precisamos de começar tudo outra vez
Já não existem rotas por descobrir
Afundaram-se as utopias
Gaivotas perdidas em marés tardias.
Oh, Mar inspirador de poetas
Universo de vidas submersas
Desenha, já é tempo, novos mapas
Sê tu a Bússolas que nos guia
Para fora desta ilha de escarpas.
Veste-te hoje, majestoso infinito,
De verde esperança
Sê para este povo
Um mar de bonança…
Mas se for preciso
Oh mar de além-mundo
Se for preciso voltar a ser Fado e Dor,
Saudade ou luto profundo,
Seja!
Que nos arda a alma com o teu Sal,
Se preciso for,
Para
Redescobrir Portugal!
ana homem albergaria
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