sexta-feira, 11 de maio de 2012
Não te movas
O pensamento precisa voar…
Fixa o teu olhar
No ponto de encontro com o teu limite.
Fica aí! Nessa estática liberdade!
Quanto do teu mundo espera por essa pausa?
Por esse olhar sem pressa num futuro disperso?
Por esse rosto sem alegria nem dor?
Sentir -te apenas… ser universo!
Fica aí…
Nesse tempo sem tempo
Nesse ficar e ir, sem perto nem longe.
Nesse espaço sem coordenadas,
Onde o corpo se abandona
Às partidas e chegadas.
Fica …
Quanto de ti descansou em ti, até hoje?
Enquanto o pensamento voa
O mundo segue… corre aos ventos
Grita aos seculos as conquistas e derrotas
Enriquece, empobrece… passa fome… envelhece!
Mas tu, podes ficar…
Não te movas. Respira apenas!
Fica aí… em ti!
ana homem albergaria
11.05.2012
terça-feira, 6 de março de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Sonho Real

Afago quente no Outono da minha vida
Aconchegando o meu sonho mais real,
Trazias flores etéreas por abrir,
Fechadas em tuas mãos, para me dar.
O vento acalmou e assim ficaram,
Sem nunca o seu perfume me chegar.
De que jardim colheste essas flores?
Que coração, da terra as quis tirar?
Esperei eu uma semente de amor,
Que não existe.
Umas mãos abertas…
Nas quais vejo apenas
Um bouquet de flores fechado e triste.
Mas o sonho quis continuar…
Porque nele estavas lá.
E quando me chegava aos teus lábios
Bebia neles um desejo ardente
De te sentir ali, não mais ausente.
Mas mesmo antes do sonho terminar
Falaste-me, sem palavras, que não estavas.
E foste te afastando, estando ainda
Neste sonho que fui nada,
E tu o que sonhei, minha alvorada!
Não sabes quanto de ti ficou em mim.
Nem eu sei quanto te dei, ou recebi.
Sei agora que não fiquei nem parti.
Neste sonho mal sonhado, mal vivido
Fomos segundos no contínuo de uma vida…
Somente um beijo de reencontro e despedida!
ana homem de albergaria
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A COR AUSENTE

Já me misturei com tantas cores,
Nesta vida, tantas vezes!
O preto e o branco,
Nos invernos frios,
Acinzentados pela solidão
Que escorregava em gotas de orvalho,
Nos vidros gelados da minha janela.
Já me agarrei ao vermelho e ao amarelo,
Encarnando a força e a garra
Necessária a uma tourada,
De capa na mão com que cobri a dor alaranjada,
Na tentativa de matar a saudade,
De um tempo em que não restou nada!
Já subi pelo azul mais celeste
e pelo verde mais agreste,
Elevando-me em ilusões flutuantes,
Nuvens etéreas, neblinas de contos de fadas,
Lagos e príncipes, florestas encantadas!
Já misturei a cor magenta de um fim de tarde
Com o castanho dos meus olhos,
Num abraço á beira-mar , que nunca se sentiu,
Num regresso de “alguém”,
Que sonhado em mim
Nunca existiu!
Ana Homem de Abergaria
domingo, 15 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Olhos Mar
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Não sei se já chegaste
Ou se estás a chegar…
És como a minha história
Que não escrevi mas que acontece
Em cada dia, em mim!
Acordo para memórias que não tenho
E vivo-as contigo num sonho por realizar.
No caminho que faço sozinha
Encontro vida verde a brotar…
Há sempre um trilho que se descobre,
Quando se caminha Lado a lado
Com a promessa fresca de amanhecer
Num futuro de Amor, já semeado.
Não espero por ti… Já te encontrei!
Mas não sei se já chegaste
Ou se estás a chegar?!
Vens meu Amor?
Vais ficar?
Ana Homem de Albergaria
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Mulher

O relógio antigo de madeira envelhecida,
Pelo tempo que o ilude de vida,
Lamenta-me o entardecer dos dias.
... É sempre tarde!
Quando o sol me desperta para quem sou…
Corro para o espelho, em busca de um rosto jovem
Que descanse um pouco na suavidade hidratante
Das minhas mãos cheias de água corrente…
Como se fosse possível fazer parar um rio nas rugas da idade,
Ou lavar a historia da própria Humanidade.
Das tranças da minha infância
Recordo apenas os sonhos, que subiam por elas
E me ensinaram a esperar mais da vida
E a dar Sempre mais e mais… de mim,
Aos outros (supostamente iguais).
E penso: Os Outros!
Então… enxugo os pensamentos na manta de retalhos
Que “eles” fizeram com as horas dos meus dias.
Volto a correr de braços estendidos em direcção á mãe
Que nasceu na era em que o meu ventre quis ser futuro.
E faço dos meus braços asas e voo sobre os muros,
E faço dos meus olhos esperança e conto estrelas brilhantes
Nos céus mais escuros.
De repente… chamam por mim
Gritam sempre pelo meu nome em outro lugar…
Onde a idade pesa,
Onde a saúde falta,
Onde é preciso levar alguém pela mão
Onde o saber urge na escola da vida,
Que não ensina que existe trabalho
Que não é profissão!
E todo o conhecimento e experiencia
Desta operária de emoções,
Se misturam em conflito
Por entre livros e universidades
Num século de oportunidades
Que me escorregam pelas mãos!
E tenho de estar onde não estou,
Saber o que não sei,
Ser o que não sou!
É sempre tarde, para ser Mulher!
Mas quando o sol se despede anunciando a partida,
Esperam ainda que o espelho reflicta a minha beleza!
E de cabeça sempre erguida mas com os olhos lassos de tristeza,
Olho de novo o relógio antigo de madeira envelhecida,
E sinto que não sou eu que dou corda á minha vida!
ana homem de albergaria
terça-feira, 1 de novembro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
Ponto final

Revisito as tuas palavras
Um número de vezes
Que tende para o infinito.
E nesse infinito de buscas,
Num papel que perfumei
Com a ilusão,
Não encontro bálsamos,
Nem sequer vestígios
De mim…
Tenho de me encontrar
Em algum parágrafo,
Tenho que estar em alguma sílaba,
Em algum acento grave!
Quem sabe numa virgula…
Tenho que me encontrar
Na semântica
Que ainda não vivi
E que me falaria
Do afecto
De ti,
Um ponto final, porquê?
Antes da palavra Amor
Que ainda não escrevi?!
ana homem de albergaria
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Falar ao mar

Estou aqui… mar imenso
Falarei a linguagem das sereias
Escuta…
Acalma-te um pouco,
Serena-me as memórias
Que navegam na historia
Da infância do meu país…
Sim… mergulhou em ti a alma lusitana
E tantos povos em ti naufragaram…
Mas Hoje queria apenas este reencontro…
Escuta…
Onde estão os sonhos profundos
Que construíram as caravelas quinhentistas?
E que ondas as levaram a outros mundos?
Sabes me dizer, oh mar altivo,
Indestrutível ser!
Desfaleceu a coragem do meu povo,
O Adamastor está ainda mais monstruoso,
Nunca o adormeceste, porque?
Oh mar revoltoso!
Preciso saber …
Vá… Só hoje,
Fala-me da tua coragem
Da tua força,
Da tua irreverência…
Dos tesouros da tua profundidade…
Ensina-nos a tua transparência
Para que se contemplem pérolas
No coração dos Homens
De boa vontade…
Nesta ilha em que se tornou
A Humanidade.
Aqui em terra,
Os meus pés já não sabem
Por onde ir…
Precisamos de começar tudo outra vez
Já não existem rotas por descobrir
Afundaram-se as utopias
Gaivotas perdidas em marés tardias.
Oh, Mar inspirador de poetas
Universo de vidas submersas
Desenha, já é tempo, novos mapas
Sê tu a Bússolas que nos guia
Para fora desta ilha de escarpas.
Veste-te hoje, majestoso infinito,
De verde esperança
Sê para este povo
Um mar de bonança…
Mas se for preciso
Oh mar de além-mundo
Se for preciso voltar a ser Fado e Dor,
Saudade ou luto profundo,
Seja!
Que nos arda a alma com o teu Sal,
Se preciso for,
Para
Redescobrir Portugal!
ana homem albergaria
sábado, 10 de setembro de 2011
Saber Amar

Não importa o que fomos
Por um momento
Importa o que recordamos
Por toda a vida
Importa viver intensamente
... Cada chegada após a despedida!
Importa agradecer, não só pedir!
Importa ver profundo, não só olhar.
Importa lutar, não desistir
Importa dar de nós, não só esperar.
Importa escutar, não só ouvir.
Importa perdoar, não desculpar.
Não importa o que fomos
Por um momento
Importa só saber AMAR!
ana homem albergaria
quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ai …
se eu hoje Ousasse
escrever um poema!
As palavras iriam fugir
Da minha voz
Como gritos ensurdecedores
Como espadas
Rasgando credos milenares
Como Fés caídas
Em igrejas destruídas
Voos presos
Em poluídos ares
Mãos ásperas
A tocar em feridas.
As palavras
Do meu poema
Não poderiam falar
Da Humanidade
Nem de justiça
Nem de esperança
Nem de igualdade!
O meu poema
Seria uma Mentira!
Como as bocas
Que apregoam a harmonia
E se abrem só para ferir
Cantando fora de tom
A irónica cobardia.
Se eu hoje ousasse escrever um poema…
Seria tão ridículo… tão ridículo
Como a hipocrisia!
Ana Homem Albergaria
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Adormecer

Deixem-me voar para longe daqui
Não me roubem o vento
Que me veleja a alma…
Há um futuro de outro tempo
Onde quero chegar… só!
Comigo mesma quero ficar…
Calada… num silêncio gelado!
Só estas palavras pretas podem gritar
Como uma criança insegura num cavalo alado…
Sou o luto de um sentir já sem viver,
Sou hoje um rio em cascata
Onde o coração mergulha
Para se perder…
Deixai-me remar sem remos,
Nadar sem braços,
Morrer na morte dos
Medos medonhos.
Deixai-me, vos rogo,
Sonhar sem sonhos!
Deixai-me esquecer
De esquecer de mim;
Façam silencio…
Quero só adormecer…
Nesta noite escura
Que hoje não tem fim!
ana homem de albergaria
imagem de pintura da mesma autora
terça-feira, 19 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Artesão de Memórias...

fonte da foto:http://www.terrabrasilimagens.com.br/site/araquem.php
Que desejas tu,
Artesão de memórias?
Parar o tempo…?
É uma Quimera… tu sabes!
Redimensionas o espaço,
Num gesto de submissa liberdade,
Rebeldia doce em busca
Da nova realidade!
Não queres copiar o Real… eu sei!
Cristalizas os efémeros segundos
De um relógio movido a Luz,
E assim depuras a vida,
Em ângulos de cumplicidade
Com a tua própria verdade.
O autêntico só existe
Na medida em que partilhas com ele
A sublime essência,
da profunda emoção,
de quem vive o “agora”
No ato da própria criação.
E assim,
Reconstróis segmentos
De um mundo
Em constante evolução.
Com olhar profundo
De quem está atento…
Vais segredando o Belo subtil
De um Céu luminoso,
Ou de um dia quase a chegar…
Um abraço…
Uma flor…
Uma ave a voar,
Árvores centenárias,
Ou um sol a despedir-se
Na linha do mar.
Até mesmo um rosto cansado …
Gritando as injustiças mais duras,
Os prazeres mais mundanos,
Ou as dores mais escuras!
Janelas…
Pontes para a interioridade,
Foto-imagens
Da tua própria vontade.
Obras de arte
Nascem dos teus olhos,
Criador de Nuances e Contrastes,
Imortalizador de traços
Da linha da vida
De um lugar
De algo
ou de alguém…
E na tua própria historia
Pois eras lá também!
E os aromas e os sons…
O frio e o calor…
Que viveste nesse ardor
De querer falar com os olhos,
Ficam para nós como os sonhos,
Universo de possíveis,
Que iremos desenhar.
Tu elegeste do mundo
O que querias revelar.
E revelaste em cada imagem
- Fotografo artesão de historias -
Flashes da tua vida,
Qual Historiador de memorias.
ana homem de albergaria
08 de Julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A secreta viagem
(pintura de ana claudia albergaria)
A Secreta Viagem
No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!
Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...
Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? — Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!
Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
— Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!
(David Mourão-Ferreira)
No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!
Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...
Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? — Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!
Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
— Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!
(David Mourão-Ferreira)
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