terça-feira, 19 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Artesão de Memórias...

fonte da foto:http://www.terrabrasilimagens.com.br/site/araquem.php
Que desejas tu,
Artesão de memórias?
Parar o tempo…?
É uma Quimera… tu sabes!
Redimensionas o espaço,
Num gesto de submissa liberdade,
Rebeldia doce em busca
Da nova realidade!
Não queres copiar o Real… eu sei!
Cristalizas os efémeros segundos
De um relógio movido a Luz,
E assim depuras a vida,
Em ângulos de cumplicidade
Com a tua própria verdade.
O autêntico só existe
Na medida em que partilhas com ele
A sublime essência,
da profunda emoção,
de quem vive o “agora”
No ato da própria criação.
E assim,
Reconstróis segmentos
De um mundo
Em constante evolução.
Com olhar profundo
De quem está atento…
Vais segredando o Belo subtil
De um Céu luminoso,
Ou de um dia quase a chegar…
Um abraço…
Uma flor…
Uma ave a voar,
Árvores centenárias,
Ou um sol a despedir-se
Na linha do mar.
Até mesmo um rosto cansado …
Gritando as injustiças mais duras,
Os prazeres mais mundanos,
Ou as dores mais escuras!
Janelas…
Pontes para a interioridade,
Foto-imagens
Da tua própria vontade.
Obras de arte
Nascem dos teus olhos,
Criador de Nuances e Contrastes,
Imortalizador de traços
Da linha da vida
De um lugar
De algo
ou de alguém…
E na tua própria historia
Pois eras lá também!
E os aromas e os sons…
O frio e o calor…
Que viveste nesse ardor
De querer falar com os olhos,
Ficam para nós como os sonhos,
Universo de possíveis,
Que iremos desenhar.
Tu elegeste do mundo
O que querias revelar.
E revelaste em cada imagem
- Fotografo artesão de historias -
Flashes da tua vida,
Qual Historiador de memorias.
ana homem de albergaria
08 de Julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A secreta viagem
(pintura de ana claudia albergaria)
A Secreta Viagem
No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!
Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...
Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? — Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!
Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
— Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!
(David Mourão-Ferreira)
No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!
Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...
Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? — Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!
Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
— Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!
(David Mourão-Ferreira)
segunda-feira, 27 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
JA FUI..............

Já fui olhos semicerrados,
Em busca de uma ilusão.
Na noite escura da alma
Fiz-me lua misteriosa
E iluminei, sem luz própria,
A minha própria razão.
Já fui mãos inconformadas
Agarrando um violão,
Fiz já vibrar muitas cordas
Na dor do meu peito aberto,
Para um mundo de injustiças
no refrão de uma canção.
Já fui quem chorou pelo tempo
Da juventude perdida,
Mas fiz clones desses anos
Procurando no meu espelho,
As flores que no meu cabelo
Ainda me falam da vida!
ana homem albergaria
terça-feira, 31 de maio de 2011
EM LOUVOR DAS CRIANÇAS
Em Louvor das Crianças...
Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.
Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'
Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.
Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'
sexta-feira, 13 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
15/10/1929
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
quarta-feira, 27 de abril de 2011

O tempo já não soma
O espaço não existe
Não importa em que cais irei sair
Na viagem dos pensamentos,
Sei apenas que vou
Por onde eles querem ir.
Já não importa se termina o dia
Ou se a noite é clareada
Pela enigmática lua
Serei eu a triste sombra
Daquela que outrora foi tua?!
Sei que sou hoje o que sou
Despida do que não quero ser
Visto-me de ilha deserta
Onde as ondas vêm morrer…
Não importa se é inverno
Ou se a Primavera chegou
Sou como um verão sem frutos
Um sol que nunca brilhou…
Durmo com a solidão
Olhando o céu, ao relento
Não importa se é dia ou noite
Importa que Eu seja Eu,
não me curvando ao vento!
ana homem de albergaria
(imagem de pintura da mesma autora)
domingo, 17 de abril de 2011
Humanidades - inauguração
segunda-feira, 4 de abril de 2011
EXPOSIÇÃO PINTURA - HUMANIDADES
domingo, 6 de março de 2011
(Pintura de: ana homem de albergaria)
Um coração silencia-se
Na espera da alvorada do sentir,
Tempo de tinta permanente,
Contínua e excelsa força
Que nos esboça o existir.
Virei estátua num jardim á beira mar,
Senti a brisa num rosto imóvel
Oposto á força do devir.
De olhos postos no horizonte
Vivi cada olhar, cada barco que passava…
Efémeros segundos de um pouco de tudo
De uma viagem feita de quase nada.
Um violino partido me acordou
Chorava… pela clave de sol assim perdida,
Não consegui unir as suas cordas
Não soube ser braço...
Nem arco... na partida.
ana homem de albergaria
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