terça-feira, 17 de novembro de 2009






Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor...


Eug. Andrade..

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

BUCARESTE












domingo, 8 de novembro de 2009

O caminho ainda é longo…
























Quando deixo o meu filho na escola, em cada manhã, sempre lhe digo : Amo-te muito … porta-te bem! Mas fico sempre na duvida sobre o que ele entende por “porta-te bem”… e muitas vezes entro no meu carro a pensar nisto… porque todos queremos que os nossos “meninos” sejam, no mínimo, “bem educados” (outro conceito que também não sei se ele compreende bem o significado… pelo menos o significado que eu lhe atribuo e que gostaria de lhe conseguir transmitir, não só com as minhas palavras mas sobretudo com os meus actos).
De facto o que espero do meu filho em cada dia é muito mais do que uma questão de comportamento sossegado ou de uma avaliação da aprendizagem excelente. O que me preocupa diariamente é se estou a conseguir transmitir-lhe os valores necessários para viver em sociedade, respeitando as diferenças e valorizando as pessoas mais do que as “coisas”. Queria tanto prepará-lo para o “Ser” em vez de o preparar apenas para o “Saber” ou para o “Ter”… Por vezes sinto que estou a remar contra a maré … sinal dos tempos!
E no meio destas minhas ansiedades, penso na escola como agente socializador, tal como a família, e como um espaço e um tempo privilegiado de reforço dos direitos (e deveres) humanos fundamentais, e sigo para o meu emprego com alguma tranquilidade porque confio na comunidade escolar ( desde os professores aos colaboradores em geral… porque todos, sem excepção, são importantes para o desenvolvimento e educação das nossas crianças, todos têm aí um papel extraordinariamente importante e fundamental).
Mas ficam sempre grandes questões no ar… quando penso como viverão (n)a escola os(as) meninos(as) de minorias étnicas, de diferentes religiões, com doenças incapacitantes, com famílias que se afastam dos modelos tradicionais ,com origens em países (territorial e culturalmente) distantes e/ou com situações sócio económicas marcadas por pobreza e exclusão social. A nossa escola está preparada? Os manuais de estudo vão ao encontro desta diversidade? A comunidade escolar está sensibilizada (e formada) para esta heterogeneidade? O caminho ainda é longo…
O que espero do meu filho, é o mesmo que espero da escola, da família e de toda a sociedade: que estejamos preparados para participar na construção de um mundo melhor para todos, no qual a abertura á diferença seja uma bandeira e os valores da solidariedade, igualdade, responsabilidade e liberdade sejam um Hino de Amor á própria Humanidade!
Meu filho: Amo-te muito! Porta-te bem! (Pela Humanidade!).


Ana Cláudia Albergaria

Despedida






Quero despedir-me de ti
Como me despedi
Da minha infância,
Aos poucos…
Sem sentir…
Sem pensar…
Quero recordar-te
Com a ternura
De quem cresce
Serenamente…
Mesmo sabendo
Que a alvorada
Da minha vida
Não irá mais
Regressar…
Estarás comigo
Em cada pôr-do-sol,
E em cada poema
Que tenha o poder
De me deslumbrar.

ana claudia albergaria

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

TROVOADA











É trovoada que se aproxima
Sinto na minha alma…
O ar está quente, abafado,
cansado.
Demasiadas vozes
Ecoam pelos raios caídos
Em arvores centenárias.
Eu encosto-me á parede
Fria da racionalidade,
Escorrego por ela,
Deixo-me cair no chão
De um qualquer jardim
Esquecido, abandonado.
Nada mais floresce aqui.
Chove nos meus olhos,
O trovão não tarda
A chegar,
Abraço-me a mim mesma
Para entrar no abrigo
Que há em mim,
E aguardo
O estremecer
Do coração
Quando
O barulho ensurdecedor
Da consciência
Me disser
Que afinal
não vivi.

ana claudia albergaria

sábado, 10 de outubro de 2009




Caminhos dourados
Em tardes imortalizadas
Pelo grito melancólico
Da natureza
Que começa a partir…

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Portão da Memória










Estou ainda na fase de olhar os álbuns,
e os postais… onde as rosas permanecem,
apesar de algumas nunca me terem chegado ás mãos com vida
Estou ainda a organizar as memórias dentro de mim,
A arquiva-las com separadores de cetim,
Como se fosse possível esquecê-las
e mantê-las cuidadas,
ao mesmo tempo…
Estou a descer a escada do sótão lentamente…
a caminhar para a porta de saída do passado
e a tentar deixar entrar um pouco de ar fresco ,
uma porta entreaberta, ainda.
As estátuas do meu jardim
há muito tempo que perderam os rostos,
pela indolência dos corpos, pela falta de vida,
e pela acidez das lágrimas folhas que desceram por eles,
em Outonos berços de arvores despidas.
Ruíram no chão junto das folhas esquecidas.
Eu estou nas fotos… que posso fazer?
Eu ainda me lembro dos rostos das estátuas do meu jardim.
A chave do portão ainda está na minha mão…
Ele está entreaberto…
Eu espero junto á rosa que me resta
A coragem para descer totalmente a escada do sótão
Fechar o portão da memória
E seguir...
com a rosa pela mão.

Ana Cláudia Albergaria
(inspirado no poema de eugénio de andrade... Viagem)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

























Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.


Rosa Lobato de Faria

domingo, 13 de setembro de 2009

Identidade

Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que ha no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Da beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
Tem maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.


Miguel Torga

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ROSTOS DE MULHER...






ROSTOS DE MULHER
TÉCNICA: PASTEL SECO
ANA CLAUDIA ALBERGARIA

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Carlos Drummond de Andrade

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Este poema cantado pela Elis... é qualquer coisa de Divinal...
e faz-me lembrar uma amiguita do peito que também gosta muito desta canção e que a cantou muitas vezes, comigo, nas nossas viagens, depois do entardecer, pelas pontes do Douro...



O que tinha de ser

Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher

Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

Tom Jobim / Vinicius de Moraes

domingo, 6 de setembro de 2009

Oscar Wilde




Usa a capacidade que tens. A floresta ficaria silenciosa se só o melhor pássaro cantasse.

Oscar Wilde

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quem me ensina a Sonhar?







(imagem retirada de: anjotorto.files.wordpress.com/2008/08/sonhos1.jpg)




Quem me ensina a sonhar?
Que a espera da esperança
me está a acabar.
Na sucessão de horas esquecidas
Onde me perco e não me estou a encontrar,
Quem me vai resgatar o olhar limpo
Da criança sem passado?
Quem vai trazer de volta
O calor de verões quentes
das praias nuas… dos desertos ausentes,
Os mares velejados
Com poemas ao vento
e com a força dos corações enamorados.
Quem vai doar seus braços
Para me salvar,
Quando a noite fria desaguar em mim?
E quando o futuro já não me acordar,
Quem se vai lembrar de como sou,
Somente assim?
Quem me vai perdoar?
Quando eu pedir perdão
Depois de errar…
E quem me vai levantar
Quando eu cair no chão?
E quando a minha alma já não se gostar?
E quando o dia de Hoje não mais me entusiasmar?
Quem me vai ensinar a sonhar,
outra vez?
Quem vai acreditar que ainda é possível
me (re)encontrar?

ana claudia albergaria



Quero querer-te mas só te posso amar,
Quero esquecer-te mas vives na minha mente,
Quero não te ouvir mas gritas em meu coração,
Quero distanciar-te mas vives em mim

(autor desconhecido... mas recomendado por um amigo :-) )

terça-feira, 25 de agosto de 2009



7 anos de felicidade junto de ti!

(...) E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Amar…

Amar é ir além de nós
Para cantar um sonho,
A duas vozes.
Escrever a nossa história num livro
de capa dourada pelo sol
que nos desperta, em cada amanhecer.
Amar é agradecer a vida partilhada,
A vida anunciada e nascida da esperança
Alicerçada na cumplicidade,
Na admiração e no respeito mútuo.
Amar é caminhar lado a lado,
Com os desafios e a exultação
da (re)descoberta do outro, a cada dia.
Amar é estar preparado
para mudar o que tem que ser,
E para aceitar o que nos ajuda a crescer.
Porque parte de nós somos “nós”
Mas a outra parte é a “vontade”.
Amar é viver sempre em Primavera
Plantar árvores e ver nascer os frutos.
Cruzar duas raízes
Para construir um futuro comum,
Sem esquecer o passado
e sem menosprezar o presente.
Porque amar é fortalecer diariamente
o coração de quem amamos!
Subindo montanhas, Percorrendo desertos
Atravessando o mar,
Somente por Amor!

Ana Cláudia Albergaria

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

quarta-feira, 17 de junho de 2009

José Calvário



E depois do Adeus... o ficarmos sós.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os livros ...




Paginas brancas... de um livro que a vida vai escrever!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O dia das crianças esquecidas











Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças de mãos calejadas pela luta que não é delas.
Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças de armas em punho, em guerras que não escolheram.
Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças com fome de pão, num mundo de desperdícios.
Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças sem tecto, em ruas com palacetes.
Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças que não brincam, num mundo de playstations.
Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças sem escola, em tempos de “oportunidades”.
Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças institucionalizadas, num mundo de casais inférteis.
Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças sem família, em tempos de “recomposição”.
Peço perdão às crianças de olhar triste,
Às crianças estigmatizadas, num mundo que apregoa a “igualdade”.
Peço perdão… em vão…
ou talvez não!
Porque só a criança tem o dom de perdoar
os que a ignoram e a fazem sofrer…
Mesmo sem saber porquê,
Ela sente, lá no fundo…
Que só com Amor
Se pode crescer!
Só o Amor
Poderá resgatar a alegria
Para o seu olhar!

ana cláudia albergaria
No dia da criança (esquecida)!

Luto








Alma de Outono
Dores tingidas de verde amarelado.
Videiras despidas, frutos pisados
Por pés que têm sede de vida,
Vinho amargo .
Um rio imenso e frio … o outro lado!
Um dia que escurece muito cedo
Um fim de tarde mudo
Um nada apenas;
E um tudo cheio de
coisas pequenas…
sem sentido.
Um peito ferido,
Abafado,
Incompreendido.
Aferrolhar das portas,
Cerrar das janelas.
Fechar os olhos,
e dormir,
no leito da dolência,
e acordar apenas
Para voltar a sentir
a própria ausência.


ana claudia albergaria

terça-feira, 5 de maio de 2009

No meu peito



Meu filho…
O poema que tenho para ti
Não cabe nas folhas amorfas
De um qualquer caderno.
Trago-o no meu peito…
Como uma prenda surpresa
Que te quero oferecer
Todos os dias da nossa vida.
Quero que o leias nos meus olhos,
Que o sintas nas minhas mãos,
Que o escutes nas minhas palavras.
Quero que ele fique em ti
E não numa folha de papel,
Adulterado por palavras vãs
Tantas vezes incrédulas,
Tantas vezes ridículas
Pela teimosia de quererem rimar.
Na infância da infância que ainda és
Quero deixar a marca do que sou
Do que sou de bom…
do que sou de amor,
Num poema não escrito,
Mas vivido.
Num poema de Amor,
Por nós os dois
Nunca esquecido.

ana claudia albergaria

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Felicidade



Felicidade…


A felicidade não é uma Quimera…
Vejo-a nos olhos dos amigos
Que brilham mais em certos dias…
E nos meus olhos quando os sinto
Ávidos de beleza…quando riem sozinhos
Sem saber porquê.
Vejo-a nas crianças, nos seus rostos
Iluminados pela inocência;
E na criança que há em mim,
Quando o meu rosto se rende á alegria
De saber para onde vou!
Vejo-a nas palavras escritas
Ou ditas com paixão,
Nos gritos dos meus poemas.
Vejo-a na emoção das mães
Guerreiras da paz;
Pedras basilares da humanidade.
Vejo-a espelhada nas mãos que se unem
Para seguir um caminho comum,
Vejo-a nos sonhos e nas ilusões
Que alimentam a nossa Alma
E que tornam possível um futuro real
Construído com base no
Amor e no respeito mútuo…
Um futuro “Agora”,
Que temos de Reinventar a cada instante,
E nos faz viver plenamente
Porque podemos ser Felizes
Para Sempre!

Ana Cláudia Albergaria

Pascoa Feliz


Páscoa Feliz!

Independentemente das nossas Crenças
ou da nossa Fé...
desejo a tod@s a Ressurreição do que de melhor temos
para dar aos outros...
e que por vezes deixamos falecer,
por cansaço...
falta de coragem ...
ou de determinação...

Um abraço !
Ana Claudia Albergaria

quarta-feira, 18 de março de 2009

Bodas de Ouro







Tios…
A Vossa Humanidade inspira-me para a Vida… A vossa casa … um aconchego onde regresso aos aromas da minha infância, aos afectos perdidos que vou resgatando ainda nos vossos braços… sempre Abertos para me Receber! Obrigada… por tantas coisas belas que de vós posso dizer ao meu filho… vou dizer-lhe , a cada amanhecer, que o Amor, afinal… pode Vencer!!!

Parabéns pelos 50 Anos de Casamento!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Yentl - Barbara Streisend

Um dos momentos inesquecíveis do filme YENTL...
Um dos meus filmes preferidos!
escutem...


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Prefiro não ler o teu fim!



A tua voz não se ouvia pai,
Não a encontrei na minha infância,
Fez-me falta.
Li a tua voz algumas vezes
Nas cartas que escrevias
Como se vivesses do outro lado do mundo
E afinal vivias apenas no teu quarto,
No teu refúgio.
Como me revoltavam as tuas cartas
Fossem elas um poema de amor
Ou uma reprimenda de pai,
Como queria que fosses capaz de falar, pai.
Como queria ter tido a coragem
De quebrar o nosso silencio.
Tanto tempo perdido, pai.
Quando te ouvia falar em público

Sentia que não te conhecia,
Que os outros te conheciam melhor que eu,
E sentia-me triste, perdida,
Esquecida na minha incompreensão.
Porque eram capazes de te enaltecer,
E eu não!
De reconhecer as tuas qualidades
orador… poeta… artista…
De pessoa sensível… humana!
De tudo o que hoje sei que és…
Por vezes confundi as tuas qualidades
Com arrogância e vaidade…
Hoje sei que era apenas a tua luz que me ofuscava.
Mas o nosso amor está destinado ao silêncio pai.
Quando a vida se tornou turbulenta o suficiente para o quebrar…
Quando a vida nos fez acordar…
Para falarmos de nós, para eu te conhecer melhor…
Voltaste ao teu silêncio pai…
Ao teu eterno silêncio!
Serás sempre uma quimera…
E mais uma vez deixaste uma carta para mim…
Perdoa-me pai… não a li!
Estava escrita há demasiado tempo
Desde o tempo em que estavas só
no teu mundo impenetrável,
Desde o tempo em que tínhamos as portas fechadas por dentro,
E as janelas cerradas por medo da liberdade,
Por medo de sermos felizes!
Não a li…
Hoje prefiro o teu eterno silêncio
a palavras escritas num papel desbotado pelo tempo…
Não quero regressar!
Prefiro fechar os olhos
E rever o teu rosto a sorrir para mim
Escutar o que ainda dissemos, por fim…
Prefiro amar-te em silencio…
Prefiro não ler o teu fim!



ana claudia albergaria
25.02.2009