sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011














(Imagem: pintura de ana homem de albergaria)



Quero a paz da criança que dorme
Sem saber das guerras,
E da mãe que cria o filho
Sem medo da fome e do frio
Sem procuras nem esperas.
Quero a paz de uma igreja
E de um coral a cantar.
A paz de um crente em Deus
Que une as mãos a orar .
Quero a paz que nasce aqui
Neste grito mudo ao mundo
A Paz que ficou suspensa
Numa estalactite branca
De um sonho bem profundo.
Quero a paz de outra vida
De um passado ancestral,
Da vida que regressa á vida,
Da memória universal!





ana homem de albergaria

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Minha irmã




















Só eu sei
Desta dor que me devora a alma
De não ser capaz de te dar um poema.
Um poema verdadeiro, Sabes?
Daqueles em que as palavras voam
Livremente pelo passado,
E regressam a nós pela brisa da saudade.
Sim, saudade,
Essa senhora altiva e sofredora
Que viaja na máquina do tempo,
Sem envelhecer,
Sem se render,
E te traz de novo para mim,
Rompendo o silencio
Que te fez cedo adormecer.
A morte não venceu!
Não vence nunca quando luta
Com um coração repleto de amor,
Como é o teu!
Ela apenas adormeceu contigo
E quando acordar não te vai ter!
Será apenas a morte da nossa dor
Que vai ver-se a si própria morrer!
Hoje sinto o peito apertado.
Um remorso antigo,
Me faz chorar agora.
Mereces tanto este poema,
Que não se deixou escrever
Em décadas sem ti,
Tendo-te aqui,
Bem no centro do meu querer.
Fazer um poema para ti
É como querer guardar o mar
Num frasco de perfume,
Ou querer apagar um fogo
Acendendo outro lume.
É dizer que te amo hoje mais,
E é mentira!
Porque te amei sempre assim
Desde épocas ancestrais…
Desde aquele Outono
Da tua juventude.
Desde o Adeus ao teu filho,
Desde o nascer dos nossos pais.
Porque Foste fé…
Na infância do sonho mais puro
Desenhado na esperança de um filho.
Promessa doce, de um doce futuro.
Minha querida irmã…
Água cristalina de um rio sempre a correr,
Oásis num deserto quente,
Onde floresce a sede da vida por viver.
Queres ficar neste poema?
Assim… tão simplesmente desnudado,
Como o meu sofrer?
Eu quero ficar contigo,
A voar nas palavras
Que não chegam nunca
Para te descrever…



Ana Homem de Albergaria

terça-feira, 25 de janeiro de 2011



























Hoje
Vou dar-te outra vez a minha mão,
E entrar na canoa onde me esperas
E deixar que me leves
Sobre o lago verde
Onde borboletas azuis e libelinhas
Nos cantam um voo de sonhos
Ao redor de flores
Que foram minhas.

(...)


ana homem de albergaria





quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sentar-me ao meu lado




















Um dia
Vou sentar-me ao meu lado
E ouvir tudo
o que tenho para me dizer.
Não vou falar comigo,
Não me vou interromper…
A primavera não (re)nasce,
Antes do inverno se ter!
Vou ficar perto e distante,
E fingir não me saber.
Ver-me em mim ali diante,
Para melhor me entender.
Vou por uma música calma,
Sons de golfinhos e mar,
Aproximar-me mais de mim
Abraçar-me e chorar!
E o meu peito vai sofrer
O que não consigo falar.
Depois,
Vou passar as mãos nos meus cabelos
E sentir que são as mãos de minha mãe.
E ver o seu sorriso a nascer
Quando me dizia serena:
Tudo passa, isto é viver!
Por fim…
Vou olhar bem nos meus olhos
Sem nunca os desviar
E vou encarar de frente
O que tenho de mudar.
Vou ler para mim própria
Um poema de Andrade
E ver nas palavras dele
Muita da minha verdade.
E assim vou-me afastando
De mim para me encontrar.
Abrir espaço ao Amor
Receber e saber dar.
Levantar-me decidida
A pintar uma nova tela
Com cores de uma nova vida
Para depois Viver nela!


ana claudia albergaria

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ENTREVISTA EM VALE DE CAMBRA

Entrevista publicada no jornal a Voz de Cambra, no seguimento da sessão de apresentação do meu livro nessa cidade onde vivi durante 23 anos,realizada pela Drª Cristina Maria Santos ,jornalista.

















- “Silenciosas Alvoradas” foi o seu primeiro livro editado de poesia. Como descreve este livro?

Não é fácil para mim descrever o meu livro, talvez porque ainda não me apropriei dele como um todo. Será claramente mais fácil falar dos meus poemas, que já existiam muito antes de se transformarem num “livro”. E sobre eles, o que posso dizer é que são, sem duvida alguma, o reflexo de sentimentos maioritariamente ligados ás relações humanas, aos laços que me unem aos actores principais da peça da minha vida, como foram os meus pais, como é o meu filho… a minha família e, enfim, os meus verdadeiros amigos. Assim, falam muito por mim e de mim, mas também do que os outros significam para mim e do que quero significar para eles. O que fui, o que sou e o que quero ainda vir a ser, está nitidamente presente neste livro. Penso que é um livro muito auto-centrado nesse sentido. As alegrias, mas também os desânimos, as conquistas mas também as perdas, estão lá. Depois a responsabilidade que temos, perante a humanidade, de contribuir para um mundo melhor … livre de injustiças e de juízos de valor que em nada nos enaltece enquanto seres humanos. Por isso incluí também um ou dois poemas dedicados a quem vive á margem da sociedade, dessa mesma sociedade, que sem dúvida alguma, somos todos nós. Tudo isto escrito de uma forma que considero simples, espontânea, assumidamente despretensiosa, acessível a todos os que gostam de poesia, ou não. É um livro que fala de coisas profundas através de uma escrita leve, que eu gostaria que se transformasse numa boa companhia para o leitor. É uma partilha!

- Como foi partilhar as suas duas paixões: a pintura e a poesia num só espaço? E na terra onde viveu 23 anos?

Foi maravilhoso, uma tarde que ficará arquivada na minha memória no recanto das sensações mais preciosas. Não foi a primeira vez que partilhei a minha pintura e poesia no mesmo espaço, já fiz isso antes, em exposições que tenho realizado no Porto. Mas de facto aqui foi a primeira vez, e foi diferente. E foi diferente porque é aqui que tenho as minhas raízes, a minha família, os amigos que me viram crescer e que estudaram comigo nestas escolas. O espaço em si não faz a diferença, o que faz a diferença são as pessoas que o ocupam e a forma como o vivem e o partilham. Ser aqui em Vale de Cambra, significou retroceder no tempo e rever até pessoas que já não via há alguns anos, embora venha com muita frequência a Vale de Cambra a verdade é que nem sempre gerimos o tempo de forma a dar atenção ao que de facto é importante, ou seja, usufruir de tempo de qualidade com as pessoas que gostamos. Depois… senti também que muitas pessoas ainda não conheciam este lado da minha personalidade mais virado para as artes e para a escrita, por isso foi extremamente gratificante dar-lhes a conhecer um pouco mais de mim. Aqui senti-me mais perto dos meus pais, dos meus avós, das minhas origens. Fui extraordinariamente bem recebida, acarinhada mesmo! Senti-me em casa. É com muita gratidão e com uma grande honra que deixo este humilde contributo ao nível da cultura escrita, e da poesia em particular, nesta cidade onde cresci.

- Se lhe pedisse que pintasse uma tela sobre Vale de Cambra, como seria? E se lhe pedisse que escrevesse uma poesia, que nome lhe daria?

Se pintasse uma tela, o que vou fazer com toda a certeza, teria certamente muito verde amarelo e lilás (as cores da serra), e relevos fortes. Teria também de transmitir serenidade, que apesar de ser uma Cidade ainda me transmite essa serenidade. Teria de revelar a conciliação perfeita entre a tradição e o desenvolvimento, o rural e o urbano. Não pinto paisagens, normalmente, mas teria de conseguir uma forma de falar um pouco da paisagem construída e muito da paisagem natural que torna este Vale único e especial. E pincelar tudo isto com uma grande dose de respeito, amor e … uma certa nostalgia. A poesia sobre Vale de Cambra teria o nome de “Existe um Vale…”.

- Exerce a sua profissão de socióloga numa ONG Europeia, na área da luta contra a pobreza e a exclusão social. O que tem transmitido desta luta para as telas ou para a escrita?

Directa ou indirectamente transmito sempre algo dessa luta. Nos meus quadros são menos perceptíveis as mensagens que tento transmitir a esse nível, mas refugio-me muitas vezes em cores fortes (não necessariamente garridas) e no preto, quando quero falar das injustiças e da revolta que é saber que existem pessoas a viver sem a dignidade que merecem. Já participei, por exemplo, num encontro europeu de pessoas em situação de pobreza, em Bruxelas, através de uma pintura minha que revelava precisamente alguém atrás de umas grades, espelhando assim a prisão que é viver em pobreza e/ou ser vitima de exclusão e de preconceitos. Quanto à poesia, é um veículo privilegiado para esse efeito, pelo menos para mim é. Porque a poesia não tem de ser sempre suave e bela, pode também ser um grande transmissor de convicções fortes e recorrer-se, por exemplo, á própria ironia, para gritar alto sobre o que é preciso mudar. E eu tento fazer isso!

- O que descobriu primeiro, a pintura ou a escrita ou ambas ao mesmo tempo? Consegue concilia-las no seu dia-a-dia? O que as distingue?

É difícil saber o que descobri primeiro, porque desde muito pequena adorava desenhar e escrever, acho que cresceu comigo. Foi um processo natural, até porque os meus pais, embora com poucas habilitações escolares, também apreciavam tudo o que era arte. Nomeadamente a escrita, sobretudo o meu Pai, e o desenho, especialmente a minha mãe. Pelo que faz parte da minha forma de comunicar desde criança. Quem sabe foram elas que me descobriram a mim?!
Relativamente á conciliação entre a pintura e a poesia, não só as consigo conciliar como até considero que se relacionam numa simbiose perfeita. Por isso mesmo recorro frequentemente aos meus poemas para legendar os meus quadros.
O que distingue a minha pintura da minha poesia é apenas a forma. Em ambas exteriorizo os meus pensamentos e vivências. O traço que mais as une é o amor com que as realizo.

- Em que se inspira para escrever e pintar?

Inspiro-me na vida, e como já disse, inspiro-me fundamentalmente nas pessoas que me rodeiam. Nós não vivemos isolados, mesmo que nos fechemos num quarto eternamente, o mundo é feito de pessoas e das relações de amor, ou desamor, que estabelecem entre si. Por isso inspiro-me muito no Amor, nos diferentes tipos de amor que podemos sentir. Pela poesia imortalizo, através da palavra escrita, de forma simples e perceptível, momentos ou memorias que não quero perder, assim como sonhos que quero concretizar, ou valores que preciso transmitir. Pela pintura revisito tudo isso, de uma forma mais abstracta, menos organizada, menos pensada. Com pinceladas livres, e por vezes descontroladas, esqueço a preocupação de saber se os outros vão entender o que quero transmitir, porque na minha pintura o que vale (para mim) é o momento.

- Já tem em mente algum projecto futuro?

Sim. Não sei viver de outra forma. Tenho sempre de estabelecer metas para a minha vida, e os pequenos projectos ajudam-me a concretiza-las. Em breve sairá um livro onde encontrarão também alguns poemas meus, numa colectânea de poesia de vários poetas que tenho o privilegio de conhecer e com os quais participo em tertúlias e sessões de poesia com frequência; pretendo fazer, pelo menos uma exposição de pintura em 2011, o que gostaria muito que acontecesse aqui em Vale de Cambra, e enfim… outros sonhos, ou desafios, que vou tecendo, como voltar á musica, continuar a aprendizagem a este nível, iniciei-a na infância mas não foi possível continuar. E até experimentar o teatro. Adorava! Afinal, pelo sonho é que vamos!

- Como gostaria de, um dia, ser recordada, como pintora ou escritora, ou ambas?

Muito sinceramente nunca pensei nisso. Não é porque escrevi este livro que me considero escritora, nem porque já fiz várias exposições de pintura que me considero pintora. Por isso não faço questão que me recordem como uma coisa ou outra. O que gostaria que me recordassem, um dia, o meu filho, por exemplo, era como uma pessoa que sempre respeitou os outros, que foi respeitada, que embora com uma origem humilde e até de alguma privação, sempre se orgulhou disso, e soube agarrar as oportunidades que a vida lhe deu, trabalhando muito e lutando pelos sonhos … e, o mais importante, partilhou isso com os outros! Da melhor forma que foi capaz!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

















FONTE DA IMAGEM:http:

//downloads.open4group.com/wallpapers/1600x1200/arvore-de-natal-lareira-e-presentes-24795.html



Não encontro uma lareira
Que me aqueça as lembranças
De uma noite de sorrisos escancarados;
E de abraços polvilhados
Pelo cheiro do açúcar e da canela.
Talvez porque se imobilizaram já
Todas as mãos que se faziam lume
Para me dar calor;
E se apagaram já
Os Corações incendiados
Por labaredas de amor.
Vou esperar a hora
De um relógio parado;
Que me leve de volta
Ao Natal do passado.


ana claudia albergaria

sábado, 27 de novembro de 2010

Apresentação do Meu Livro / Vale de Cambra

AOS AMIGOS QUE NÃO CONSEGUIRAM ESTAR NO LANÇAMENTO DO MEU LIVRO NO PORTO, RENOVO O CONVITE... DESTA VEZ SERÁ EM VALE DE CAMBRA, NA BIBLIOTECA MUNICIPAL, NO DIA 11 DE DEZEMBRO, PELAS 16.00H

NESTA APRESENTAÇÃO TEREMOS UMA EXPOSIÇÃO DE PINTURA, DE MINHA AUTORIA, DE MAIOR DIMENSÃO DO QUE A QUE ACONTECEU NO PORTO!

APAREÇAM!


domingo, 21 de novembro de 2010

Obrigada














Ontem tudo esteve perfeito!
Os cláustros da Biblioteca Pública Municipal do Porto nunca estiveram tão bonitos (aos meus olhos).
Os meus amigos estávam lá!E a nossa alegria também!
Obrigada pela vossa presença no lançamento do meu livro!
Não vou esquecer essa tarde!
Fui Feliz!
Abraço forte!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Convite ... Silênciosas Alvoradas

Cemitério









Não é aqui que vos sinto,
Meus avós,
Meus pais,
Minha irmã…
Meus queridos …
Não é no meio da cera derretida
Que queima o ar com aroma de dor
Que vos espero encontrar.
Nem por entre as flores,
Que fazem deste jazigo um altar.
Não é com palavras douradas
Sobre uma mármore dura
Que vos quero falar…
Não estais aqui!
Neste lugar onde a terra pesa
Sob a noite fria,
E onde o portão de ferro alto
Acredita que vos limita o espaço.
E a vela pensa que vos alumia.
Estas flores não sabem
Que nasceram para morrer aqui…
Aqui tudo morre!
Aqui, onde nada vive
Para além do silêncio.
Não estais aqui…
Encontro-vos agora e sempre
No meu peito,
Gruta do amor por vós.
E na saudade doce
Que me alimenta a esperança
De vos abraçar de novo,
E quebrar este gélido silêncio
Com a nossa voz!


ana claudia albergaria
01 de Novembro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Silênciosas Alvoradas









No dia 20 de Novembro , sábado,
vou lançar o meu livro de poesia "Silenciosas Alvoradas"...
que será editado pela "Edita-me"
Irei também inaugurar uma exposição de pintura,
de minha autoria, com o mesmo nome.
O local está ainda sujeito a confirmação,
mas tudo indica que será no
Claustro da Biblioteca Municipal do Porto,
pelas 16.00h, em São lázaro, Porto.

Espero por tod@s vós!

Um abraço!

Ana Claudia Albergaria

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tantas Vozes
























Tantas vozes,
Meu Deus...
Diz-me a quem ouvir
Neste poço de ecos,
Encerrado em mim.
Nele mergulho
Na turbulência
De incertezas;
Regresso ao meu início,
Em busca do meu fim.
Vozes gritam...
Num vácuo imenso.
Acordam memórias,
Desafogam momentos ,
Arruínam sonhos
Com pressentimentos.
Sabem elas para onde quero ir?
Não!
Que se calem as vozes!
Que anoitece já na minha alma.
Quero dormir!
Só tu sabes
A voz de que Anjo
Me irá acordar
Para comigo Partir!


ana claudia albergaria

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

No teu olhar













Lavei minhas mãos
nas minhas lágrimas
nas águas de um rio
grande e frio
onde as magoas
desceram cachoeiras
num turbilhão
de ais e de suspiros
Agora enxugo as mãos
No meu alívio
Esqueço os meus olhos
nas margens desse rio
E deixo-me levar
pelas águas límpidas
e serenas
do teu olhar.


ana claudia albergaria

quarta-feira, 25 de agosto de 2010









Férias!!! Férias!!! Férias!!!
beijinhos para tod@s

Encontro de Poetas






Quando os poetas se encontram
O ar deixa o incolor da sua essência
Veste a cor dos poemas
E as quimeras tornam-se Heras
Que trepam pelos dedos,
Pelas mãos
Pelos braços
Esverdeiam-se nos olhos
Após beberem a seiva
Que nasce no coração
Depois…
Na boca florescem palavras
Aos sons de outros lugares
E as emoções se agitam
Como as ondas
Em altos mares.

ana claudia albergaria

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Medo







Hoje nenhum sol me iluminou,
E nenhum calor foi capaz de me aquecer;
E o verde dos jardins não me animou
E não vi nenhum rosto de criança,
Não senti sorrir nenhuma infância.
Hoje vivi com o peito apertado,
Contra o silencio deste dia sem inicio,
Contra o cinzento de um céu inacabado,
Como quando uma tempestade se aproxima.
Sufoquei-me na ausência do teu ser.
Escondi-me no medo,
Perdi-me no medo,
Morri no medo,
De te perder.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Este Porto Meu










Rio Douro
Meu cúmplice de fins de tarde
Onde a nostalgia me ensina a parar
E a olhar as margens como
Braços de uma mãe
Que me embala o coração.
Que Rio imenso
Me une aqui
e me afasta, ao mesmo tempo,
De mim…e dos outros,
Que tons de céu
Se pintam nesta cidade?!
Aqui sonhei multicolor
Colhi meu filho
Derramei amor
Construí vida
Fiz-me despedida
Semeei amigos…
E vagueei alegre
Por antigos livros.
Atravessei pontes
Afundei mágoas
Redesenhei rotas
Sobre as doces águas.
Bebi de um vinho
Rubro e ardente.
Mas forte e doce
Como a sua gente.
Foi a olhar o rio
Que avança para o mar
Que me encontrei
Foi aqui…
A púbere paixão,
Por este Porto meu
Onde me abarquei.

ana claudia albergaria

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sono









Em cada noite
Uma viagem além tempo
Em cada sono
Navios em mares serenos
Tripulantes de branco
Portos de luz
Em espaços
Extra-terrenos.
E eu já sou eu
De novo.
Incorporando em mim
Tudo o que sou
Recordando em mim
Tudo o que sonho,
Voltando a mim
Destas viagens
Acordo ao som
De Ecos de saudade
Como uma breve despedida
Nos Efémeros retornos
Á eternidade da vida.

ana claudia albergaria

terça-feira, 18 de maio de 2010









Tenho um círio aceso
No meu peito.
Não sei quem o acendeu
Em mim.
Mas treme muito a sua chama
Como se um vento sereno
A fizesse estremecer…
Qual lamento de amor
Ou de saudade…
A cera quente
Desliza por ele
Constantemente,
E Cada gota,
Cada mágoa
Que cai no meu ventre,
E se funde assim
No vazio
Do meu espaço frio
E dilui-se
No meu sangue,
Agora quente.
E o círio vai chorando
Até ao fim,
Até ao fim dos tempos…
Nos quais alguém
Se irá lembrar,
Ainda…
Do que fui de Luz,
Mesmo que efémera,
Do que fui Átomo
Do SER,
Da luz
Eterna!


Ana Cláudia Albergaria

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Exposição "De Cor e Alma"

Antes de mais, quero agradecer a todos os amigos e visitantes em geral que me acarinharam com a sua presença na minha exposição de pintura "De cor e Alma" assim como na sessão de poesia "Vozes da Alma", sem a vossa presença nenhum destes momentos seriam tão gratificantes para mim!

Um agradecimento especial ao Clube Literário do Porto, e particularmente á Isabel Damião, pela cedência do espaço para a exposição e para a sessão de poesia, assim como pela simpatia com que sempre me receberam, e aos meus amigos.

O meu agradecimento especial também para à Associação de Pais da Escola Artistica de Soares dos Reis,na pessoa do Sr. Carlos Ramos, pelo apoio ao nivel da impressão de cartazes.

Ao meu grande amigo Daniel Horta Nova, por todo o apoio que me deu desde o primeiro momento em que pensei estes eventos... a sua disponibilidade total desde a concepção dos cartazes, á divulgação dos eventos, á montagem da propria exposição e á sua presença e apoio constante.

E, como sempre, um obrigado especial ás minhas grandes amigas: Elizabeth Santos, Paula Cruz e Maria José Vicente, que me ajudaram também na montagem da exposição de pintura e me apoiam, sempre, incondicionalmente, em todos os meus projectos.

Não esquecerei também a presença de um recente amigo "José Rui Fernandes" que se deslocou prepositadamente de Lisboa ao Porto, para nos encantar com o som da sua flauta, na sessão de poesia "Vozes da Alma". Muito obrigada, Zé Rui!

Para quem nao teve a oportunidade de ir... e queira conhecer alguma das obras lá apresentadas, ficam aqui algumas fotos...

Um abraço a todos!
Ana Cláudia Albergaria