Tu és a esperança, a madrugada,
nasceste nas tardes de Setembro,
quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.
Para ti criei palavras sem sentido
inventei brumas , lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda comigo.
Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.
Eug. de Andrade.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Gaivotas

As mãos…
Gaivotas de asas macias
Penas brancas…
Voando no meu rosto.
Pediam-me apenas um sorriso,
Que demorava um segundo a chegar,
Quando os olhos se fechavam
Para as sentir voar
Sobre mim…
Migraram de um sonho
De verão
Essas gaivotas.
Não voltarão mais!
Mas sinto ainda
O seu doce cheiro
A maresia…
Como se o mar
Me viesse banhar,
Com água tépida
E espuma macia!
Não voltarão mais,
Essas gaivotas…
Mas sinto-as ainda…
No esvoaçar
Das folhas
Do livro
Da nossa
Poesia.
ana claudia albergaria
domingo, 6 de dezembro de 2009
Se eu pudesse
sábado, 5 de dezembro de 2009
Um Natal de Jesus
Quero antes um natal
De corações radiantes
Auras brancas cintilantes
E muita transparência no olhar…
Quero as ruas despidas de pobreza,
Enfeitadas com a beleza
Que a partilha tem para dar…
Quero lares e não casas
Pessoas e não indivíduos…
Gestos e doces palavras,
Diálogos e não ruídos.
Quero tempo… muito tempo
E não caixas com prendas dentro.
Muito carinho e abraços
Amigos para desabafos
Animo para os desalentos.
Quero poemas, canções
Que nasçam nos corações.
Quero simplicidade e leveza
No peito da humanidade
Quero os rostos envelhecidos
A viver com dignidade.
Quero jovens com esperança
Num futuro de esplendor,
E crianças a brincar
E a crescer com amor.
E quero não esquecer
Que o Natal não é só luz
Que existe muita dor
Que muitos vivem na cruz.
Não quero o Natal das "Prendas"
Quero antes o Natal de jesus!
Ana Cláudia Albergaria
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Eu...
Eu …
Ás vezes, sou a luz
Em dia de nevoeiro
Ou talvez a claridade
Que cega o mundo inteiro.
Eu…
Às vezes, sou a cor
Em dia cinza de inverno
Ou talvez a madrugada
Que inicia o dia eterno
Eu …
Às vezes, sou o mar
Em dia de tempestade
Ou talvez o navegante
Que rema contra a vontade.
Ana Cláudia Albergaria
(1988)
Ás vezes, sou a luz
Em dia de nevoeiro
Ou talvez a claridade
Que cega o mundo inteiro.
Eu…
Às vezes, sou a cor
Em dia cinza de inverno
Ou talvez a madrugada
Que inicia o dia eterno
Eu …
Às vezes, sou o mar
Em dia de tempestade
Ou talvez o navegante
Que rema contra a vontade.
Ana Cláudia Albergaria
(1988)
Sonho na praia
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Gritei ao mar
Gritei ao mar …
Em tom de súplica,
Em noite escura,
Pedi brandura
Num mar de Outono
De azul verdura.
Deu-me o seu sal,
Aguas nubladas,
Olhos salgados,
Ondas enormes,
Braços cansados.
Gritei de novo…
- Ó mar poderoso…
Dá-me um só barco
Que me leve ao lar
Da alma esquecida
Pelo verbo Amar.
E o mar respondeu-me:
- A alma em si mesma
Terá de navegar,
para se encontrar!
Ana Cláudia Albergaria
Completa
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Eugénio de Andrade
domingo, 29 de novembro de 2009
O livro por escrever...
Poderiam ser o inicio de um livro estas palavras…
de um livro sem principio nem fim…
aquele espaço em que para me encontrar
teria de me ausentar por uma eternidade…
Afastar-me dos sons da revolta de uma infância perdida,
dos cheiros das estações mais tristes, povoadas de cores cinzentas,
tardes paradas…
das sensações de perda e das emoções solitárias
que fazem questão de permanecer num coração adormecido.
Dos odores das uvas pisadas em Outono de dor.
Poderiam ser o inicio de um livro estas palavras…
Se o amanhecer do futuro chegasse ameno, suave …
como os raios de sol em manhã de primavera…
se a cortina do meu quarto não me protegesse mais dessa luz
que me despertando de um sono profundo
me libertaria da inércia
e de um tempo
que não me pertence mais.
Poderiam ser o início de um livro…
fosse eu capaz de as libertar!
03.julho.07
ana claudia albergaria
terça-feira, 24 de novembro de 2009
O TEU POEMA
O teu poema…
Chegaste na alvorada
Que o futuro não esperava,
Trazias no peito
O poema da vida,
Bússola de prata
Para a estrada perdida.
Na mão um cajado,
Feito do passado
Narrado por
Um relógio qualquer.
E o tempo abrandou…
E falamos
Do que fomos,
E do que somos “sós”.
Recebi de ti
O som do violino
Que trazias na voz,
Em cada despertar,
Em cada adormecer,
Estavas lá!
Como um juramento
Que se faz em silêncio…
Cantamos a promessa de um abraço
Que Ficou suspenso
Nas palavras dos Poetas
Que vieram contigo,
Para aliviar meu cansaço.
E não chegou o abraço,
Porque a noite caiu
Antes de o sol nascer
As flores secaram
Antes de florescer.
Os relógios pararam.
E os livros abertos
Desfolhados por nós…
Vão sempre falar
Do quanto estamos sós,
E do quanto renasci
No instante efémero
Em que te (re) conheci,
Meu Amigo Eterno.
E tudo o resto…
Que não se disse
Que não se leu
Que não se partilhou
Tudo o que faz de mim
O que hoje eu sou,
Fica dentro de nós,
Em lugares mágicos
Por onde tu andas
E para onde eu vou!
ana claudia albergaria
Chegaste na alvorada
Que o futuro não esperava,
Trazias no peito
O poema da vida,
Bússola de prata
Para a estrada perdida.
Na mão um cajado,
Feito do passado
Narrado por
Um relógio qualquer.
E o tempo abrandou…
E falamos
Do que fomos,
E do que somos “sós”.
Recebi de ti
O som do violino
Que trazias na voz,
Em cada despertar,
Em cada adormecer,
Estavas lá!
Como um juramento
Que se faz em silêncio…
Cantamos a promessa de um abraço
Que Ficou suspenso
Nas palavras dos Poetas
Que vieram contigo,
Para aliviar meu cansaço.
E não chegou o abraço,
Porque a noite caiu
Antes de o sol nascer
As flores secaram
Antes de florescer.
Os relógios pararam.
E os livros abertos
Desfolhados por nós…
Vão sempre falar
Do quanto estamos sós,
E do quanto renasci
No instante efémero
Em que te (re) conheci,
Meu Amigo Eterno.
E tudo o resto…
Que não se disse
Que não se leu
Que não se partilhou
Tudo o que faz de mim
O que hoje eu sou,
Fica dentro de nós,
Em lugares mágicos
Por onde tu andas
E para onde eu vou!
ana claudia albergaria
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
O caminho ainda é longo…
Quando deixo o meu filho na escola, em cada manhã, sempre lhe digo : Amo-te muito … porta-te bem! Mas fico sempre na duvida sobre o que ele entende por “porta-te bem”… e muitas vezes entro no meu carro a pensar nisto… porque todos queremos que os nossos “meninos” sejam, no mínimo, “bem educados” (outro conceito que também não sei se ele compreende bem o significado… pelo menos o significado que eu lhe atribuo e que gostaria de lhe conseguir transmitir, não só com as minhas palavras mas sobretudo com os meus actos).
De facto o que espero do meu filho em cada dia é muito mais do que uma questão de comportamento sossegado ou de uma avaliação da aprendizagem excelente. O que me preocupa diariamente é se estou a conseguir transmitir-lhe os valores necessários para viver em sociedade, respeitando as diferenças e valorizando as pessoas mais do que as “coisas”. Queria tanto prepará-lo para o “Ser” em vez de o preparar apenas para o “Saber” ou para o “Ter”… Por vezes sinto que estou a remar contra a maré … sinal dos tempos!
E no meio destas minhas ansiedades, penso na escola como agente socializador, tal como a família, e como um espaço e um tempo privilegiado de reforço dos direitos (e deveres) humanos fundamentais, e sigo para o meu emprego com alguma tranquilidade porque confio na comunidade escolar ( desde os professores aos colaboradores em geral… porque todos, sem excepção, são importantes para o desenvolvimento e educação das nossas crianças, todos têm aí um papel extraordinariamente importante e fundamental).
Mas ficam sempre grandes questões no ar… quando penso como viverão (n)a escola os(as) meninos(as) de minorias étnicas, de diferentes religiões, com doenças incapacitantes, com famílias que se afastam dos modelos tradicionais ,com origens em países (territorial e culturalmente) distantes e/ou com situações sócio económicas marcadas por pobreza e exclusão social. A nossa escola está preparada? Os manuais de estudo vão ao encontro desta diversidade? A comunidade escolar está sensibilizada (e formada) para esta heterogeneidade? O caminho ainda é longo…
O que espero do meu filho, é o mesmo que espero da escola, da família e de toda a sociedade: que estejamos preparados para participar na construção de um mundo melhor para todos, no qual a abertura á diferença seja uma bandeira e os valores da solidariedade, igualdade, responsabilidade e liberdade sejam um Hino de Amor á própria Humanidade!
Meu filho: Amo-te muito! Porta-te bem! (Pela Humanidade!).
Ana Cláudia Albergaria
Despedida
Quero despedir-me de ti
Como me despedi
Da minha infância,
Aos poucos…
Sem sentir…
Sem pensar…
Quero recordar-te
Com a ternura
De quem cresce
Serenamente…
Mesmo sabendo
Que a alvorada
Da minha vida
Não irá mais
Regressar…
Estarás comigo
Em cada pôr-do-sol,
E em cada poema
Que tenha o poder
De me deslumbrar.
ana claudia albergaria
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
TROVOADA

É trovoada que se aproxima
Sinto na minha alma…
O ar está quente, abafado,
cansado.
Demasiadas vozes
Ecoam pelos raios caídos
Em arvores centenárias.
Eu encosto-me á parede
Fria da racionalidade,
Escorrego por ela,
Deixo-me cair no chão
De um qualquer jardim
Esquecido, abandonado.
Nada mais floresce aqui.
Chove nos meus olhos,
O trovão não tarda
A chegar,
Abraço-me a mim mesma
Para entrar no abrigo
Que há em mim,
E aguardo
O estremecer
Do coração
Quando
O barulho ensurdecedor
Da consciência
Me disser
Que afinal
não vivi.
ana claudia albergaria
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Portão da Memória

Estou ainda na fase de olhar os álbuns,
e os postais… onde as rosas permanecem,
apesar de algumas nunca me terem chegado ás mãos com vida
Estou ainda a organizar as memórias dentro de mim,
A arquiva-las com separadores de cetim,
Como se fosse possível esquecê-las
e mantê-las cuidadas,
ao mesmo tempo…
Estou a descer a escada do sótão lentamente…
a caminhar para a porta de saída do passado
e a tentar deixar entrar um pouco de ar fresco ,
uma porta entreaberta, ainda.
As estátuas do meu jardim
há muito tempo que perderam os rostos,
pela indolência dos corpos, pela falta de vida,
e pela acidez das lágrimas folhas que desceram por eles,
em Outonos berços de arvores despidas.
Ruíram no chão junto das folhas esquecidas.
Eu estou nas fotos… que posso fazer?
Eu ainda me lembro dos rostos das estátuas do meu jardim.
A chave do portão ainda está na minha mão…
Ele está entreaberto…
Eu espero junto á rosa que me resta
A coragem para descer totalmente a escada do sótão
Fechar o portão da memória
E seguir...
com a rosa pela mão.
Ana Cláudia Albergaria
(inspirado no poema de eugénio de andrade... Viagem)
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
Rosa Lobato de Faria
domingo, 13 de setembro de 2009
Identidade
Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que ha no sofrimento.
Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Da beleza e sentido a cada grito.
Mas como as inscrições nas penedias
Tem maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.
Miguel Torga
Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que ha no sofrimento.
Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Da beleza e sentido a cada grito.
Mas como as inscrições nas penedias
Tem maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.
Miguel Torga
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