quarta-feira, 8 de novembro de 2006

O Vazio...

O vazio...
ausência
de conteúdo real,
tangível,
Factual.
Amorfo
desalento,
qual dor
relâmpago
na leitura
da sentença,
no final de um triste
e solitário
julgamento.
Neblina fria
e opaca
que imobiliza o ser
e inaugura o saber viver
sem sentimento.

Ana Claudia Albergaria

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Feitiço

Como uma canção de amor se pode tornar uma bela canção de embalar... era esta canção que eu cantava para o Gonçalo adormecer... e ainda hoje não sei se foi feitiço ou o que é que me deu...para gostar tanto assim de alguém...

Feitiço
by N/A


Eu gostava de olhar para ti

E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite, me guia de dia e seduz...
Eu gostava de ser como tu
Não ter asas e poder voar
Ter o céu como fundo, ir ao fim do mundo e voltar...
Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Eu gostava que olhasses
para mim
E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo, um olhar em segredo,
só para eu te abraçar...
Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
O primeiro impulso é sempre mais justo,
é mais verdadeiro...
E o primeiro susto dá voltas e voltas
na volta redonda de um beijo profundo...
Eu...
Eu não sei o que me aconteceu...
foi feitiço!O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Eu...
Não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Como tu...


Andre Sardet

terça-feira, 17 de outubro de 2006

DIA INTERNACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA

Fala do Velho do Restelo ao astronauta


Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti nem eu sei que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal soletramos, de olhos tensos,
Maravilhas de espaço e de vertigem:
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalme são brinquedos),
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome.

Letra: José Saramago.
Musica: Manuel Freire

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Rosto de Mulher

Rosto de Mulher
Pastel / 2004.
Ana Cláudia Albergaria

(Inten)cidade


(Inten)cidade / 2006.
Acrílico sobre tela: 120x80 cm
Ana Claudia Albergaria


quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Obrigada

Quero agradecer à minha irmã querida, a Cristina; aos meus sobrinhos maravilhosos, Helder, Nuno e Natércia; às minhas verdadeiras amigas: Paula, Zéza, Elizabeth, Ana e Idalina ; aos meus cunhados e grandes amigos , Almerinda e Joaquim; todo o apoio que me estão a dar nesta fase de conclusão da minha dissertação de mestrado...

Pelo amor, carinho, dedicação, atenção, presença... pelas mensagens de força, que me enviam às 2 e 3 horas da manhã... e que me dizem que eu sou capaz!

Pela disponibilidade total para "aturarem" os meus desabafos... me aconselharem... pelas leituras do texto... pelas sugestões, pelas ideias...pelos silêncios, quando assim tem que ser...

Pelo tempo que dedicam ao meu filho... pelos dias que ficaram com ele para eu trabalhar...pelos passeios com ele pela baixa do porto... pelos fins de tarde com ele... pelo carinho que sempre lhe manifestam...

Quero agradecer ao meu pai... pela espera contínua... pelas minhas ausências... e pelo brilho que vejo nos seus olhos sempre que lhe digo que... está quase! Pela força que me trasnmite e o orgulho que tem em mim...

Por tudo o que para mim é fundamental... e que é saber que posso sempre contar com todos vocês!

Obrigada... não vos vou decepcionar!

(esta é uma das formas que encontrei para vos agradecer... para mim vale mais do que aquela folha que, porque todos colocam, eu também irei colocar na parte inicial da minha tese... estas palavras não foram escritas porque os outros também escrevem... foram escritas porque eu vos adoro ! E porque tenho muito a agradecer!

Claudia

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Maria Bethânia

Mais uma das minhas paixões... Maria Bethânia, que considero uma cantora e uma mulher maravilhosa. Para mim representa a beleza da mulher que não estando revelada no seu rosto se manifesta na sua voz e na forma como "É" no palco e como "Está" na vida.

Deixo-vos o seu Grito de Alerta...




Maria Bethânia

Grito de alerta
(Gonzaga Jr.)

Primeiro você me azucrina, me entorta a cabeça

Me bota na boca um gosto amargo de fel

Depois vem chorando desculpas, assim meio pedindo

Querendo ganhar um bocado de mel

Não vê que então eu me rasgo, engasgo, engulo

Reflito e estendo a mão

E assim nossa vida é um rio secando

As pedras cortando e eu vou perguntando: até quando?

São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo

Arrasando aos poucos com o nosso ideal

São frases perdidas num mundo de gritos e gestos

Num jogo de culpa que faz tanto mal

Não quero a razão pois eu sei o quanto estou errado

O quanto já fiz destruir

Só sinto no ar o momento em que o copo está cheio

E que já não dá mais pra engolir

Veja bem, nosso caso é uma porta entreaberta

Eu busquei a palavra mais certa

Vê se entende o meu grito de alerta

Veja bem, é o amor agitando meu coração

Há um lado carente dizendo que sim

E essa vida da gente gritando que não.


sábado, 16 de setembro de 2006

Tenho um projecto...

( quadro de Marta Monteiro)

Tenho um projecto…
Um espaço aberto, meu, só meu!
No qual eu deposite todos os meus desejos
Todos os meus gritos,
Todas as minhas dores inaudíveis.
Um espaço onde o ilusório e o concreto
Se harmonizem para irem ao encontro do infinito.
Nesse espaço não haverá cor, nem som.
Nem frio, nem calor.
Nesse espaço haverá luz,
Luz…
Luz… brilhante e incolor.
Temo a ausência da luz como temo a cegueira;
Temo a cegueira como temo a ignorância
dos olhares que olham sem ver;
e dos ouvidos que ouvem sem escutar.
Temo ocupar o espaço sem o transformar,
Temo procurar o mundo
sem me encontrar.

Ana Cláudia Albergaria

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Estás...



Estás …

Estás… quando choramos de alegria, com lágrimas que não saem dos olhos mas do peito…
Estás… quando temos os teus netos nos braços, quando lhes falamos de ti com respeito
Estás… quando nos sentimos fortes, quando nos sentimos serenas no nosso leito.
Estás quando perdoamos, quando crescemos, quando amamos.
Estás quando nos arrependemos, quando ao fazer o bem renascemos.
Estás quando sofremos a dor da carne e quando a luz do teu espírito nos ameniza a angustia que vivemos.
Estás quando levantamos a cabeça, mesmo quando o peso nos nossos ombros nos faz curvar.
Estás quando a solidão deixa de ser triste e a escuridão já não nos agonia, porque vens nos iluminar.
Estás quando a saudade de ti nos entristece.
Estás quando vens ao nosso encontro pelos caminhos da memória de quem nunca te esquece.
Estás quando vens doutras paragens por caminhos para nós desconhecidos.
Estás quando em sonhos nos revelas da vida os segredos mais escondidos.
Estás quando olho as violetas, quando o verde primaveril dos teus olhos renasce para nós.
Estás quando escutamos os fados que cantavas e quando rezando ouvimos a tua voz.
Estás para sempre… em nós!


Ana Cláudia Albergaria
14 de Dezembro de 2005

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Seara de fogo








"Seara de Fogo"

Acrílico sobre tela
dimensões 45x55 cm
Ana Claudia Albergaria

Esta tela que eu pintei,com muito carinho, estará para leilão no projecto" mão-a-mão", através do qual se angariam alguns fundos monetários para apoiar instituições socias que prestam um trabalho, reconhecidamente válido, junto das comunidades onde se inserem.
No mês de setembro será a CRIAL - Centro de Recuperação Infantil de Almeirim, distrito de Santarém, que beneficiará dos valor conseguido com esta acção. Esta instituição intervem na área da deficiência.
Se quiserem adquirir este quadro ou outros produtos oferecidos para esse efeito, assim como conhecer melhor o projecto de que vos falo e as instituições apoiadas, consultem o blog:
Com pequenos gestos podemos apaziguar grandes sofrimentos...
Pensem nisto... participem!
ana claudia albergaria

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Quem fui não é mais!


Quem fui não é mais;
Que o tempo apagou de mim toda a memória.
Agora sou o tempo que me enrola
na vida que construo em cada hora.
Da vida serei cúmplice das quedas
no rio ,cujas margens se afastaram
para que ele passasse altivo,
iludido pela força das correntes,
sobre as quais tantos náufragos navegaram.
Hoje não sou mais do que Eu
e talvez queira mesmo ser só Eu,
e, talvez, muito mais do que sinto,
porque sou o tempo que faço
a percorrer um labirinto.
Amanhã serei sempre mais...
Porque espero mais!
Porque acredito!


Ana Claudia Albergaria

terça-feira, 1 de agosto de 2006

As Flores da Sombra...


As flores da Sombra
Acrílico sobre papel / 2005
ana claudia albergaria
Sabem...?

... aquelas pessoas pelas quais passamos na rua e desviamos o olhar porque o olhar delas procura nas pedras do chão a razão para continuarem a caminhar?

... aquelas pessoas de cabeça quase sempre inclinada para baixo... de mãos quase imóveis pelo peso de não terem nada para construir?

... aquelas pessoas cujo caminhar mais parece uma promessa tal é o cansaço e o défice de vontade para continuar?

... aquelas pessoas que já nem dizem, nem esperam, um "bom dia" porque se sentem transparentes... ausentes do presente e vitimas de um passado para nós desconhecido?

... aquelas pessoas que quando estendem a mão encolhem o coração... de humilhação... de tristeza e de vergonha...?
... aquelas pessoas que quando nos aproximamos com um cobertor para as agasalhar, no chão onde dormem, se encolhem com medo... e escondem a cara como uma criança quando teme um bicho que se aproxima?

Não sabem!

Não sabemos!

Temos tanto a aprender com elas! São como as flores da sombra... tão bonitas como todas as outras... mas que ninguém admira nem procura... porque vivem e crescem na solidão!

Essas pessoas são como as FLORES DA SOMBRA!

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Selva laranja

"Selva laranja"
óleo sobre tela / 2005
ana claudia albergaria
Selva laranja... selva de verão... selva da manhã em que o acordar foi de sol... selva de silvas... selva de frutos... selva de sons ... selva de gritos... folhas vivas que fazem sombra ... e ao mesmo tempo aquecem e florescem no meu renascer.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Fios de Esperança

" Fios de Esperança "
Acrílico sobre tela / 2006.
ana claudia albergaria

Os fios de esperança são fios finos... que se fortalecem nos momentos de amor... de amizade... de sorrisos... apesar de fragéis nunca se quebram... tal como a teia fina protege a sua construtora (sem romper) também a esperança suporta o peso de toda uma existência desde que essa existência tenha guardado na sua consciência o segredo de saber esperar!


terça-feira, 4 de julho de 2006

A minha avó...













A minha avó…
Era minha no verdadeiro sentido da palavra:
Era minha porque velava o meu sono;
Iluminava o meu quarto para afugentar os meus medos de criança,
Penteava o meu cabelo com a serenidade de quem nunca se cansa.
Antes de dormir…era o meu nome o primeiro a surgir nas suas orações.
Eu via-me nos olhos dela mesmo que não olhasse para eles.
Eu sentia-me a princesa mais bela e mais amada,
Mesmo que num Castelo sem torres nem riquezas.
No seu colo eu era sempre a bela adormecida
Que mais não esperava que os seus beijos,
E ela a minha avó querida
Que por mim esquecia os seus próprios desejos.
Que estendia os seus braços para mim
Sempre que chegava a casa, ao fim do dia,
Que me deixava pular na cama 10,15, 20 vezes seguidas…
Sem se preocupar se eu ia estragar o colchão,
Ou se a colcha ficava suja,
Ou se o estrado da cama ia acabar partido no chão…
Ela foi a minha grande mestra…
Com ela aprendi muita coisa…
Aprendi antes de mais… que amar é proteger…é cuidar…

é defender…é acarinhar…é tolerar …
é dar…dar…dar…dar…dar…

Não sei se sentiste algum dia o quanto gosto de ti…avó!


quinta-feira, 15 de junho de 2006

Menino do Rio... Caetano Veloso




Menino do rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção, corpo aberto no espaço
Coração de eterno flerte
Adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do rio
Eu canto pra Deus proteger-te
O Havaí seja aqui
Tudo o que sonhares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
eu desejo o teu desejo
Menino do rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Restolho ... Mafalda Veiga


Mafalda Veiga

Restolho

Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário
Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda
Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda
Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração

terça-feira, 6 de junho de 2006

Eu sei... a nossa Sara Tavares...


Eu Sei


Se eu voar sem saber onde vou

se eu andar sem conhecer quem sou

se eu falar e a voz soar com amanhã

eu sei...

(chorus)

se eu beber dessa luz que apaga

a noite em mim

e se um dia eu disser

que já não quero estar aqui

só Deus sabe o que virá

só Deus sabe o que será

não há outro que conhece tudo o que acontece em mim

se a tristeza é mais profunda que a dor

se este dia já não tem sabor

e no pensar que tudo isto já pensei

eu sei...

(chorus)

se eu beber dessa luz que apaga

a noite em mim

e se um dia eu disser

que já não quero estar aqui

na incerteza de saber

o que fazer, o que querer

mesmo sem nunca pensar

que um dia o vá expressar

não há outro que conhece tudo o que acontece em mim

Sara Tavares e Ana Fonseca

quinta-feira, 1 de junho de 2006

FELIZ DIA PARA TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO

Crianças Felizes... todos os dias!

Hoje, logo pela manhã
Desejei ao meu filho um bom dia da criança

Ele sorriu e disse:
- hoje é o dia da ciança, mãe?

E eu disse:
- sim, filho… vai ser um dia muito bom… vais ter festinha na tua escola…logo vou passear contigo e fazer uma coisa que tu gostes, boa?

Disse ele:
- Eu quero agora!

-Queres agora o quê, filho?

-Quero ter um dia muito bom agora! Não é logo!

De facto… a felicidade é a única coisa na vida que não devemos adiar!

Não desperdicemos o tempo que podemos passar com as nossas crianças… nem a oportunidade de as fazer felizes…elas não serão crianças para sempre!

Como alguém disse um dia…”nunca tenha medo de estragar uma criança com mimos… a infância é a atmosfera onde florescem todos os bons sentimentos”.

Nota: apesar de querer ver sempre o meu filho sorrir… todos os dias… hoje… vou-lhe dizer (não lhe posso omitir) que existem muitas… muitas… muitas crianças que não conseguem sorrir!

E se ele me perguntar porquê?

Eu direi:

- Porque não têm a mãe e o pai a desejar um bom dia pela manhã… porque não têm o que comer quando dói a barriguinha… porque não têm brinquedos… porque têm frio…porque estão doentes…porque não podem ir à escola… porque não recebem livros do Noddy quando fazem anos… porque são infelizes!

O mais certo é ele perguntar outra vez porquê…

E aí… terei de lhe dizer que os adultos não conseguem responder! (mas nós sabemos que a verdade é que os adultos - não querem - responder!)