quarta-feira, 26 de julho de 2006

Fios de Esperança

" Fios de Esperança "
Acrílico sobre tela / 2006.
ana claudia albergaria

Os fios de esperança são fios finos... que se fortalecem nos momentos de amor... de amizade... de sorrisos... apesar de fragéis nunca se quebram... tal como a teia fina protege a sua construtora (sem romper) também a esperança suporta o peso de toda uma existência desde que essa existência tenha guardado na sua consciência o segredo de saber esperar!


terça-feira, 4 de julho de 2006

A minha avó...













A minha avó…
Era minha no verdadeiro sentido da palavra:
Era minha porque velava o meu sono;
Iluminava o meu quarto para afugentar os meus medos de criança,
Penteava o meu cabelo com a serenidade de quem nunca se cansa.
Antes de dormir…era o meu nome o primeiro a surgir nas suas orações.
Eu via-me nos olhos dela mesmo que não olhasse para eles.
Eu sentia-me a princesa mais bela e mais amada,
Mesmo que num Castelo sem torres nem riquezas.
No seu colo eu era sempre a bela adormecida
Que mais não esperava que os seus beijos,
E ela a minha avó querida
Que por mim esquecia os seus próprios desejos.
Que estendia os seus braços para mim
Sempre que chegava a casa, ao fim do dia,
Que me deixava pular na cama 10,15, 20 vezes seguidas…
Sem se preocupar se eu ia estragar o colchão,
Ou se a colcha ficava suja,
Ou se o estrado da cama ia acabar partido no chão…
Ela foi a minha grande mestra…
Com ela aprendi muita coisa…
Aprendi antes de mais… que amar é proteger…é cuidar…

é defender…é acarinhar…é tolerar …
é dar…dar…dar…dar…dar…

Não sei se sentiste algum dia o quanto gosto de ti…avó!


quinta-feira, 15 de junho de 2006

Menino do Rio... Caetano Veloso




Menino do rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção, corpo aberto no espaço
Coração de eterno flerte
Adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do rio
Eu canto pra Deus proteger-te
O Havaí seja aqui
Tudo o que sonhares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
eu desejo o teu desejo
Menino do rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Restolho ... Mafalda Veiga


Mafalda Veiga

Restolho

Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário
Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda
Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda
Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração

terça-feira, 6 de junho de 2006

Eu sei... a nossa Sara Tavares...


Eu Sei


Se eu voar sem saber onde vou

se eu andar sem conhecer quem sou

se eu falar e a voz soar com amanhã

eu sei...

(chorus)

se eu beber dessa luz que apaga

a noite em mim

e se um dia eu disser

que já não quero estar aqui

só Deus sabe o que virá

só Deus sabe o que será

não há outro que conhece tudo o que acontece em mim

se a tristeza é mais profunda que a dor

se este dia já não tem sabor

e no pensar que tudo isto já pensei

eu sei...

(chorus)

se eu beber dessa luz que apaga

a noite em mim

e se um dia eu disser

que já não quero estar aqui

na incerteza de saber

o que fazer, o que querer

mesmo sem nunca pensar

que um dia o vá expressar

não há outro que conhece tudo o que acontece em mim

Sara Tavares e Ana Fonseca

quinta-feira, 1 de junho de 2006

FELIZ DIA PARA TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO

Crianças Felizes... todos os dias!

Hoje, logo pela manhã
Desejei ao meu filho um bom dia da criança

Ele sorriu e disse:
- hoje é o dia da ciança, mãe?

E eu disse:
- sim, filho… vai ser um dia muito bom… vais ter festinha na tua escola…logo vou passear contigo e fazer uma coisa que tu gostes, boa?

Disse ele:
- Eu quero agora!

-Queres agora o quê, filho?

-Quero ter um dia muito bom agora! Não é logo!

De facto… a felicidade é a única coisa na vida que não devemos adiar!

Não desperdicemos o tempo que podemos passar com as nossas crianças… nem a oportunidade de as fazer felizes…elas não serão crianças para sempre!

Como alguém disse um dia…”nunca tenha medo de estragar uma criança com mimos… a infância é a atmosfera onde florescem todos os bons sentimentos”.

Nota: apesar de querer ver sempre o meu filho sorrir… todos os dias… hoje… vou-lhe dizer (não lhe posso omitir) que existem muitas… muitas… muitas crianças que não conseguem sorrir!

E se ele me perguntar porquê?

Eu direi:

- Porque não têm a mãe e o pai a desejar um bom dia pela manhã… porque não têm o que comer quando dói a barriguinha… porque não têm brinquedos… porque têm frio…porque estão doentes…porque não podem ir à escola… porque não recebem livros do Noddy quando fazem anos… porque são infelizes!

O mais certo é ele perguntar outra vez porquê…

E aí… terei de lhe dizer que os adultos não conseguem responder! (mas nós sabemos que a verdade é que os adultos - não querem - responder!)

terça-feira, 30 de maio de 2006

Fechem os olhos... escutem... é a Elis!

Romaria

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamento
Sobre meu cavalo
É de laço e de nó
De jibeira ou jiló
Dessa vida
Cumprida à sol
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, e joguei
Investi, desisti
Se há sorte, eu não sei, nunca vi

Sou caipira Pirapora nossa

Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Me disseram porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir emRomaria e prece
Paz nos desalentos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar
Sou caipira Pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Renato Teixeira
(Elis Regina)

Fernando Pessoa

A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
a bondade que não tem prazo -

Tudo isso excede este rigor
Que o racioncício dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
ainda que o amor seja mudo.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 29 de maio de 2006

"Envolvência" - Acrílico sobre papel
2005
Ana Cláudia Albergaria
" Família em flor" - acrílico sobre papel
2005
Ana Claudia Albergaria

sexta-feira, 26 de maio de 2006

A Metade...

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflicta em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente
Complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a plateia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 25 de maio de 2006

"Abrigo Azul"- Acrílico sobre tela
2005
ana Cláudia Albergaria

terça-feira, 23 de maio de 2006

Tripla Personalidade

Tripla Personalidade
Pastel - 2004
Ana Cláudia Albergaria

Turbulência

Turbulência - Acrílico sobre tela
2005
Ana Cláudia Albergaria

O Limite.

" O limite" - Acrílico sobre tela.
2006.
ana Claudia Albergaria

sábado, 20 de maio de 2006

Para além da curva da estrada



"A escada" - Acrílico sobre tela.
ana claudia albergaria




Para além da curva da estrada


Para além da curva da estrada
talvez haja um poço,
e talvez um castelo,
e talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
só olho para a estrada antes da curva,
porque não posso ver senão a estrada
antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
e para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui
e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
esses que se preocupem com o que há
para lém da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá,
quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva,
e antes da curva
há a estrada sem curva nenhuma.

Alberto Caeiro

quinta-feira, 18 de maio de 2006

As Pontes


"As Pontes" - Acrílico sobre tela
2006
Ana Cláudia Albergaria

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Azul e Ouro


"Azul e Ouro" - Acrílico sobre tela.
ana claudia albergaria

O rosto











"O rosto" - Pintura a Pastel
Ana Cláudia Albergaria