quinta-feira, 1 de junho de 2006
Crianças Felizes... todos os dias!
Desejei ao meu filho um bom dia da criança
Ele sorriu e disse:
- hoje é o dia da ciança, mãe?
E eu disse:
- sim, filho… vai ser um dia muito bom… vais ter festinha na tua escola…logo vou passear contigo e fazer uma coisa que tu gostes, boa?
Disse ele:
- Eu quero agora!
-Queres agora o quê, filho?
-Quero ter um dia muito bom agora! Não é logo!
De facto… a felicidade é a única coisa na vida que não devemos adiar!
Não desperdicemos o tempo que podemos passar com as nossas crianças… nem a oportunidade de as fazer felizes…elas não serão crianças para sempre!
Como alguém disse um dia…”nunca tenha medo de estragar uma criança com mimos… a infância é a atmosfera onde florescem todos os bons sentimentos”.
Nota: apesar de querer ver sempre o meu filho sorrir… todos os dias… hoje… vou-lhe dizer (não lhe posso omitir) que existem muitas… muitas… muitas crianças que não conseguem sorrir!
E se ele me perguntar porquê?
Eu direi:
- Porque não têm a mãe e o pai a desejar um bom dia pela manhã… porque não têm o que comer quando dói a barriguinha… porque não têm brinquedos… porque têm frio…porque estão doentes…porque não podem ir à escola… porque não recebem livros do Noddy quando fazem anos… porque são infelizes!
O mais certo é ele perguntar outra vez porquê…
E aí… terei de lhe dizer que os adultos não conseguem responder! (mas nós sabemos que a verdade é que os adultos - não querem - responder!)
terça-feira, 30 de maio de 2006
Fechem os olhos... escutem... é a Elis!
É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamento
Sobre meu cavalo
É de laço e de nó
De jibeira ou jiló
Dessa vida
Cumprida à sol
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, e joguei
Investi, desisti
Se há sorte, eu não sei, nunca vi
Sou caipira Pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Me disseram porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir emRomaria e prece
Paz nos desalentos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar
Sou caipira Pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Renato Teixeira
(Elis Regina)
Fernando Pessoa
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
a bondade que não tem prazo -
Tudo isso excede este rigor
Que o racioncício dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
ainda que o amor seja mudo.
Fernando Pessoa
sexta-feira, 26 de maio de 2006
A Metade...
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflicta em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente
Complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a plateia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.
Oswaldo Montenegro
terça-feira, 23 de maio de 2006
sábado, 20 de maio de 2006
Para além da curva da estrada

Para além da curva da estrada
Para além da curva da estrada
talvez haja um poço,
e talvez um castelo,
e talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
só olho para a estrada antes da curva,
porque não posso ver senão a estrada
antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
e para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui
e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
esses que se preocupem com o que há
para lém da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá,
quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva,
e antes da curva
há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro
quinta-feira, 18 de maio de 2006
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Especialmente para ti ...
Sei de cor
cada traço
do teu rosto
do teu olhar.
Cada Sombra
da tua voz.
E cada silêncio
cada gesto que tu fazes
Meu amor sei-te de cor
Sei
Cada capricho teu
E o que não dizes
Ou preferes calar.
Deixa-me adivinhar
não digas que o louco sou eu
se for tanto melhor
Amor sei-te de cor
Sei
Por que becos te escondes.
Sei ao pormenor
o teu melhor e o pior.
Sei de ti mais do que queria
Numa palavra diria
Sei-te de cor
quarta-feira, 3 de maio de 2006
Pela vossa imensidão!
Hoje
pode ser o que eu quiser...
porque não estou sozinha.
Deixo os meus pensamentos...
deixo-os ir ao vento...
Deixo-os abandonarem-me
para usufruir da brisa amena
que vem do coração de quem me quer bem...
Maré cheia de amor...
Maré cheia de alegria
que nesta noite vem banhar
o meu pensar...
Espuma fina de um mar de côr
que vem amaciar a minha dor.
Tantos braços a abraçarem-me
tantas mãos a acariciarem-me
verdadeiras amizades!
Verdadeiras amigas!
Flores que nasceram na praia
em mês de toda a estação,
que crescem como as pérolas puras
nos corais do coração.
Obrigada... AMIGAS!
pela vossa imensidão...
ana claudia albergaria.











