terça-feira, 30 de maio de 2006
Fernando Pessoa
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
a bondade que não tem prazo -
Tudo isso excede este rigor
Que o racioncício dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
ainda que o amor seja mudo.
Fernando Pessoa
sexta-feira, 26 de maio de 2006
A Metade...
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflicta em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente
Complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a plateia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.
Oswaldo Montenegro
terça-feira, 23 de maio de 2006
sábado, 20 de maio de 2006
Para além da curva da estrada

Para além da curva da estrada
Para além da curva da estrada
talvez haja um poço,
e talvez um castelo,
e talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
só olho para a estrada antes da curva,
porque não posso ver senão a estrada
antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
e para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui
e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
esses que se preocupem com o que há
para lém da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá,
quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva,
e antes da curva
há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro
quinta-feira, 18 de maio de 2006
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Especialmente para ti ...
Sei de cor
cada traço
do teu rosto
do teu olhar.
Cada Sombra
da tua voz.
E cada silêncio
cada gesto que tu fazes
Meu amor sei-te de cor
Sei
Cada capricho teu
E o que não dizes
Ou preferes calar.
Deixa-me adivinhar
não digas que o louco sou eu
se for tanto melhor
Amor sei-te de cor
Sei
Por que becos te escondes.
Sei ao pormenor
o teu melhor e o pior.
Sei de ti mais do que queria
Numa palavra diria
Sei-te de cor
quarta-feira, 3 de maio de 2006
Pela vossa imensidão!
Hoje
pode ser o que eu quiser...
porque não estou sozinha.
Deixo os meus pensamentos...
deixo-os ir ao vento...
Deixo-os abandonarem-me
para usufruir da brisa amena
que vem do coração de quem me quer bem...
Maré cheia de amor...
Maré cheia de alegria
que nesta noite vem banhar
o meu pensar...
Espuma fina de um mar de côr
que vem amaciar a minha dor.
Tantos braços a abraçarem-me
tantas mãos a acariciarem-me
verdadeiras amizades!
Verdadeiras amigas!
Flores que nasceram na praia
em mês de toda a estação,
que crescem como as pérolas puras
nos corais do coração.
Obrigada... AMIGAS!
pela vossa imensidão...
ana claudia albergaria.











